A praça é do povo

A praça é do povo? Até pode ser, como o céu é do avião. Mas nossas ruas cada vez mais congestionadas de carros e carros robustos e enormes - os suvs - afugentam pessoas, inclusive, das praças.

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Por Márcio Pannunzio
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A praça é do povo? Até pode ser, como o céu é do avião. Mas nossas ruas cada vez mais congestionadas de carros e carros robustos e enormes – os suvs – afugentam pessoas, inclusive, das praças. O sonho da mobilidade automotiva é o pesadelo da cidade. Esses mastodontes de aço e plástico pesando toneladas, queimando gasolina, álcool ou diesel, em passo paquidérmico transportam em suas entranhas, pesando uma fração ridícula do seu peso, quase sempre apenas uma solitária pessoa, uma emperiquitada madame de óculos escuros ou um sisudo homem de negócios. Situação não tanto diversa daquela do passado, quando os privilegiados eram carregados em liteiras pelo povo pobre escravo de uma sociedade tão desapiedada quanto a atual.
 
Quando a praça é ocupada pelas pessoas é como se a cidade resplandecesse, brilhasse. Porque a cidade vive no convívio da pluralidade. Se os habitantes se enclausuram e se escondem dentro de suas casas casamatas, a cidade adoece. O convívio estimula a troca de afetos e ideias, aproxima os diferentes e assim fortalece o respeito à diversidade, nos tornando gente civilizada e não fantoches de um sistema estúpido que propangandeia  na TV o dia inteiro que só seremos felizes desfrutando o magnífico status de proprietários desses elefantes brancos, pretos ou prateados que, tal como os dinossauros do passado, bem mereciam ser extintos.
 
Pois então é bom demais ver praças tomadas por gente. E isso vimos na Ilha, na pequena praça em frente ao Pimenta do Cheiro, com um show intimista do Dança e Movimento e na praça da Vila, com a competição esportiva Strongman Brasil.
 
Os dois episódios atraíram público interessado e numeroso. E o bacana é que não foi preciso gastar um dinheirão alugando tenda, som, segurança, etc. O do Dança e Movimento em termos de estrutura não demandou nada: houve apresentação na praça e ponto.
 
O Strongman, objeto das fotos da coluna, montou um cercado onde ficaram os atletas. Mas foi um gasto irrisório. E mostrou uma competição que é também um espetáculo incomum, de uma atividade esportiva pouco conhecida e divulgada. Legal seria se os nossos gestores do esporte, cultura e turismo buscassem mais coisas desse tipo, preocupando-se menos em priorizar eventos onerosos que, infelizmente, como já aconteceu antes, pouco sucesso alcançam e ficam às moscas, ou melhor dizendo, aos borrachudos.
 
Por Márcio Pannunzio
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Márcio Pannunzio
Márcio Pannunzio é artista plástico, trabalhando com desenho, gravura, pintura e fotografia. Fez trinta e sete individuais, cinco delas no exterior. Participou de mais de uma centena de certames internacionais de gravura e foi premiado na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières ( Canadá ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 11ª Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe ( Porto Rico ), na 3rd International Biennial Racibórz 2000 Poland ( Polônia ), na The 3rd International Mini Print Cluj-Napoca ( Romênia ), no 3º Concurso Internacional de Mini Grabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na 5ª Bienal Nacional de Grabado en Relieve – 1ª Iberoamericana XYLON Argentina, na III Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana 2004, na 1st International Small Engraving Salon Inter-Grabado 2005 ( Uruguai ), na 2ª e na 3ª Muestra Internacional de Miniprint en Rosário ( Argentina ). No Brasil foi premiado em quarenta e cinco ocasiões, entre elas, no 10° Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 3º Salão Victor Meirelles, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na II Bienal da Gravura, no 2º Salão SESC de Gravura, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na 4ª Bienal de Gravura de Santo André, na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e premiado nos Programas de Ação Cultural do governo do estado de São Paulo – ProAcs Edital de 2008, 2010 e 2011 e ProAc ICMS de 2013.

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