deitado em berço esplêndido

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deitado em berço esplêndido

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coluna da série Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil Pátria Amada Brasil

Quando eles desembarcaram, barbudos, maltrapilhos, cabeludos, fedorendos e famintos de esquifes negros chamados caravelas, encontraram boa acolhida dos que habitavam a terra desconhecida. Retribuíram fornicando as mulheres de depiladas vergonhas desnudas e escravizando e assassinando os homens. E de tanto arrancarem da floresta o pau que tingia tecidos de vermelho daquela paragem, agora governada sobre promessa histérica de que sua bandeira jamais será vermelha, que hoje só se encontra nela espécimes dele em um ou outro perdido horto. Retribuíram exaurindo o ouro, as esmeraldas, os diamantes do lugar. Retribuíram catequizando a força de garrote, forca, amputação, suplício, os habitantes que acreditavam já viver no paraíso lhes prometendo esse mesmo paraíso após a morte e por isso logo os mataram jovens, exangues de tanto lhes servirem em trabalho forçado e insalubre. Retribuíram contaminando com a peste os que os acolheram e os demais e essa peste provocada por varíola, gripe e doenças antes inexistentes, dizimou grande parte deles.

Que eram vistos e tidos como bestas, peças, coisas, ainda que por sua aparência, por sinal muito mais asseada, feliz e saudável do que a dos que chegaram e se proclamaram descobridores, era, inquestionavelmente, humana.

Nesse tempo antigo, esses feiosos de fala anavalhada acreditavam que escravizando, seviciando, estuprando e assassinando os diferentes por os terem como não humanos, agiam em nome de forças divinas para promover o bem e afastar o pecado do mundo.

Passado meio milênio e o caminho se inverte.

O Brasil que não tem mais pau brasil descobre Portugal e por lá desembarca milhares de brasileiros.

Uma horda. Horda. Adjetivo mordaz no texto sem meias-palavras de Homero Gottardello que não é português e sim brasileiro, articulista no Jornalistas Livres. Essa brasileirada que se quer apátrida é formada por endinheirados, na sua maioria, bolsonaristas que antevendo a catástrofe fim do seu mundo se aproximando na figura do sapo barbudo que sucederá seu mito messias no trono presidencial e tornará vermelha a idolatrada brasil pátria amada brasil deles, feito ratos que anteveem o naufrágio, ligeiros, abandonam o navio.

E aportam em Portugal comprando tudo em que tropeçam derramando na metrópole tão gentil o veneno da sua arrogância potencializado pela ignorância da colônia onde plantando tudo dá, menos é claro, na Amazônia onde é imprescindível antes desmatar para o gado pastar.

Fazendo às vezes do brasileiro bonzinho imortalizado por Kate Lira numa jurássica  tv sem big brother, Homero adverte os portugas:

Ignorar o risco de sua chegada e deixar de impor limites, preventivos, a essa horda é o mesmo que entregar uma sociedade e sua cultura milenar à barbárie. E que ninguém espere nada diferente disso…

 

Tristes Trópicos/ gravura/ xilografia de topo/ Márcio Pannunzio

 

O Brasil que passou direto para a decadência sem conhecer a civilização festeja nas suas ruas liberais empobrecidas a convivência ainda pacífica entre os que alguma coisa têm e aqueles que há muito de tudo foram privados. Da humanidade, inclusive, porque idêntico aos antigos nativos, são considerados pelos altivos descendentes dos colonizadores lusitanos, bichos; bestas dormindo não na floresta tropical repleta de pau brasil, mas no passeio imundo forrado de pedras portuguesas.

 

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Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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