foto em foco: a revitalização de araque da Cocaia

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Quando a informação de que o bairro da Cocaia seria revitalizado chegou no facebook em 2020, ferveram comentários irados de dezenas de moradores repudiando, lastimando o projeto apresentado.

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As ilustrações da inplenitus que a acompanhavam eram, não resta dúvida, duma indigência, duma tosquice que muito contribuiu para incendiar o debate nas redes sociais.

Exibiam um mundo completamente artificial; um mundo que não tinha familiaridade alguma com a singularidade, a beleza da Cocaia.

A topografia havia sido totalmente terraplanada; a silueta florestada do Morro do Espinho, marco de paisagem da cidade, simplesmente estava ausente.

Nesse mundo fantasioso que não era colorido como o é o desse bairro verdejante, mas em preto e branco, circulavam seres muito mais parecidos com autômatos do que com humanos. Em poses teatralizadas simulavam uma vida que se vendia por feliz.

Uma Pleasantville feita a do filme homônimo que na sua tradução para o português teve o acréscimo da frase a vida em preto e branco.

 

 

a Cocaia no faz de conta da propaganda e a reação dos moradores - redes sociais

 

No ambiente asséptico dessas ilustrações, exalando a hipócrita alegria dos anos dourados norte-americanos da década de cinquenta, gente de propaganda convivia sorridente: o cadeirante, o ciclista, a corredora, o jovem marombado, o executivo, a mãe empurrando o carrinho de bebê, o casal de idosos…

InPlenitus, nome da firma projetista, gostaria, é de se crer, de assim nomear o que seria essa Cocaia revitalizada: um local pleno, lugar de plenitude, um céu na terra.

Praticamente na mesma época em se espalhava a notícia da futura revitalização da Cocaia, acontecia na ilha o debate em torno da criação da lei de mobilidade urbana, capitaneada pela empresa contratada, a TC Urbes Mobilidade e Projetos Urbanos. O material disponível para leitura na internet tem credibilidade. O escopo do projeto trabalha pela criação de uma Ilhabela melhor, alinhada aos objetivos do desenvolvimento sustentável e era bastante enfático na defesa da mobilidade ativa na cidade.

Que significa meios de locomoção por propulsão humana; traduzindo: caminhar, correr, andar de bicicleta, skate, patinete; podendo esses equipamentos terem tração elétrica. Para viabilizar tanto a caminhada quanto a corrida a pé, deveria ser seguido o modelo de calçada instituído como padrão pela Associação Brasileira de Normas técnicas, bastante conhecido e divulgado no corpo da ABNT NBR 9050. Ele explicita como espaço de circulação de pessoas a largura mínima de um metro e vinte, largura essa que possibilitaria a acessibilidade de pessoas com deficiência de locomoção, como os cadeirantes e os que se movem apoiados em muletas.

Calçadas construídas respeitando essa norma são inclusivas por estimularem pessoas das mais diversas condições físicas, das mais diferentes idades a se deslocarem a pé, deixando de lado o carro que na ciência urbanística atual, é o principal responsável pela degeneração das cidades e a consequente piora da vida urbana.

O ato de caminhar permite a quem o faz uma aproximação visceral com a cidade. E essa aproximação tem o salutar poder de criar um vínculo de pertencimento que resulta em cidades mais limpas, belas, humanas, solidárias, justas, onde o exercício da cidadania acontece de forma participativa e colaborativa.

Ilhabelenses de outros bairros que acompanharam as reclamações nas redes sociais, acreditaram que era tudo mimimi de gente mal-agradecida, desse povo briguento da Cocaia formado por muito profissional liberal e também por muito caiçara resilente. Um conjunto facilmente inflamável.

-Quem me dera fosse revitalizado o meu bairro! Foi a resposta sem meios tons de muitos que se contrapuseram à gritaria dos cocaienses.

Infelizmente, agora que as obras se adiantam pela força do contrato homologado no Processo Administrativo 15.116-5/2019 e permitem antever o seu resultado final, o desconforto, a revolta dos reclamantes, encontra total embasamento. Ainda que o trabalho de captação das águas pluviais e o novo pavimento das ruas da Cocaia sejam bem-vindos, o evidente assassinato das calçadas conspurca, avilta, descredencia a obra inteira.

Qualquer urbanista de meia-tigela de pronto elencaria a ideia de criar mão única na Rua Benedito Rodrigues dos Santos, em parte da rua da Cocaia e em todas as ruas perpendiculares a essas duas ruas principais. Essa simplíssima alteração de direção de trânsito garantiria a feitura de calçadas inclusivas.

Mas não.

Ao priorizar o transporte automotivo em vias de mão dupla, a obra incontestavelmente fomentou o uso do carro particular facilitando a vida daqueles que não enxergam além do próprio umbigo; ou melhor dizendo, enxergam uns metros além do fim do capô dianteiro dos seus carros.

E desgraçou fundo a vida de todos os demais, a grande maioria que anda a pé e de bicicleta que daqui pra frente vai se sujeitar a caminhar disputando espaço com os carros, caminhões, ônibus, motocicletas; todos muito velozes. São moradores de todas as idades a quem muito agrada passear pela Cocaia. São trabalhadores incontáveis, uma legião deles, que rotineiramente sobem e descem a rua da Cocaia para trabalhar em residências espalhadas por ela, em suas travessas e no seu final; residências que por seu porte e paisagismo, demandam farta mão de obra de trabalho doméstico. Jardineiros, diaristas, mensalistas, serventes, pedreiros, caseiros…

Todas essas pessoas correm agora iminente risco de vida. Podem ser atropeladas e mortas como o foi uma muito querida criança do bairro numa tragédia que não cicatriza na memória.

É certo que ao disporem de um pavimento sem buracos, sem corrugações, muitos motoristas vão acabar abusando da velocidade e a chance de acontecerem acidentes na Cocaia vai crescer exponencialmente.

Texto institucional publicado no site da prefeitura então governada pela prefeita Gracinha em 26 de junho de 2020 dizia que a controversa revitalização da Cocaia havia sido “aprovada pela maioria da população em audiência pública no Galpão das Artes“.

Habitantes do bairro que ora sofrem indignados com a progressão da terraplanagem que destrói implacavelmente suas calçadas, relatam que não participaram dessa audiência porque nem ficaram dela sabendo.

Fato é que esse evento nasceu contaminado por ser orquestrado a mando da prefeitura por arquitetos que claramente desonraram seus diplomas e por legisladores que burlaram a lei que deviam obedecer e que, marcando presença a serviço da secretaria de obras da época no palco da insanidade montado no Galpão das Artes, sob sua batuta referendaram uma intervenção urbanística desastrosa que fará bela ilustração nos compêndios do novo urbanismo como perfeito exemplo do que não fazer para evitar desgraçar uma vizinhança orgulhosa do seu lugar.

Quinze milhões de reais, sob qualquer ótica contábil, é uma fortuna.

É bem conhecida a máxima da sabedoria popular de que tanto o trabalho bem-feito quanto o malfeito, exigem igual esforço.

Não dá pois para entender como foi que se optou pelo caminho tortuoso, pelo caminho errado fazendo um trabalho que ao invés de realmente melhorar a Cocaia, vai sim é deflagrar a sua degradação, literalmente atropelando a palavra latina vita que no verbo revitalizar significa vida.

Atropelando a lei federal da mobilidade urbana, lei número 12.587/12 ao fazer letra morta da diretriz descrita no seu artigo 6º, item II: prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado e letra morta de um dos seus principais objetivos, o elencado no seu artigo 7º, justamente como o primeiro deles, no item I: reduzir as desigualdades e promover a inclusão social.

Atropelando a mencionada norma da ABNT, a 9050.

Atropelando o que foi propugnado na consistente dissertação apresentada pela TC Urbes.

Atropelando e matando descaradamente, as cristalinas determinações do Plano Diretor de Ilhabela feito lei número 421/2006 no distante ano de 2006 que especificava no seu capítulo IV – da mobilidade urbana, artigo 63:

I) prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e às bicicletas;

VIII) desestímulo ao uso de automóvel no território ilhéu.

  • 2ºAs disposições da NBR-9050/1994, referente à acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, serão observadas na aplicação da estratégia de mobilidade urbana, no caso de obras de construção de praças, vias públicas loteamentos e espaços urbanos em geral, tanto nos planos e projetos de iniciativa privada como pública.

 

 

Ao assassinar impiedosamente as calçadas da Cocaia, inviabilizando completamente a segurança da mobilidade urbana ativa, essa intervenção maléfica além disso assassina o conforto visual e auditivo das moradias do bairro porque elas vão se escancarar diretamente para o leito carroçável sem a proteção, sem o respiro que calçadas inclusivas lhe forneceriam. Aquela simplicidade de outrora, comum da gente humilde que punha cadeira na calçada para gastar papo furado com a vizinhança ou transeuntes será impossível. Restaria colocá-las diretamente na rua e aí em vez de se celebrar a vida passando devagar, seria a ocasião de se invocar a morte dolorosa por esmagamento debaixo dum carro, dum caminhão, dum ônibus.

Essa obra desnaturada cai agora feito herança maldita da finada gestão Tenório no colo da gestão Colucci, que começou auspiciosamente, ao revelar seu carinho por Ilhabela assegurando que a casa caiçara Eva Esperança, uma pérola arquitetônica no coração da cidade, fosse preservada para o deleite das gerações futuras.

Essa modesta casa que é o retrato duma Ilhabela realmente bela, foi empastelada na eleição passada por publicidade eleitoral agigantada de Irê Juliani. Corria o risco de ser demolida como tanto patrimônio urbanístico de valor incomensurável foi antigamente.

Essa obra de revitalização da Cocaia, cujo adjetivo de araque é até bastante elogioso, cai feito bomba no colo da nova administração municipal com real potencial de figurar em vindouro relatório do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo como exemplo cabal de malversação do dinheiro público.

A Câmara Municipal de Ilhabela, a Secretaria Municipal de Obras, o Conselho do Plano Diretor, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Ilhabela, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo, a Associação Amigos do Bairro do Retiro Alto da Cocaia, o Instituto Ilhabela Sustentável, a Procuradoria Municipal, essa última, íntegra em sua independência funcional e judiciosa em seus pareceres, são todos capazes de averiguar devidamente essa situação com potencial de trazer grande dano ao bairro e à cidade.

E o Ministério Público, sempre vigilante na defesa da sociedade, tem a autoridade e o poder para imediatamente interferir quando preciso for evitando ameaça à vida ou prejuízo à coletividade.

O vereador Raul da Habitação vistoriou a obra e apontou diversas irregularidades que esta coluna se abstém de aqui arrolar para que o presente artigo não fique mais extenso do que já está. Mas talvez pelo fato de não ser morador da Cocaia e no momento da sua visita ainda não ter sido tão perceptível, não atinou com a enorme aberração que vai ser sacramentada pela diminuição absurda no tamanho das calçadas que, se antes da obra, já eram precárias, depois dela nem como indigentes poderão ser categorizadas.

Nesse momento em que homens e máquinas rasgam seu solo sem clemência demolindo suas calçadas, a Cocaia se dá conta de que não será transformada nem na Pleasantville da propaganda da inplenitus, nem na Alphaville insular que moradores escandalizados com o projeto de revitalização acharam que seria, mas numa coisa ainda mais aterradora. Envelhecida e envilecida pela força da grana que ergue e destrói coisas belas, seu sonho feliz de cidade será apenas uma distante e saudosa lembrança de quando sua entrada era não uma larga rua avenida e sim um estreito e simplório caminho batido de terra cautelosamente adentrando pelo sopé do Morro do Espinho numa sucessão de túneis verdes onde os carros, respeitosos e reverentes, paravam pacientes, para a passagem dos pedestres.

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Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é artista plástico, fotógrafo, ilustrador, cartunista e jornalista. Seu trabalho de artista gráfico correu mundo e conquistou doze prêmios internacionais, entre eles, na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières, Première Édition ( Canadá ), no 3º Concurso Internacional de Minigrabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 1st International Small Engraving Salon Inter – Grabado 2005 ( Uruguai ). No Brasil foi premiado em trinta e nove ocasiões entre elas: no 10º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, no 3º Salão Victor Meirelles, no 2º Salão SESC de Gravura, no 26º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional – Contemporâneo, no 7º e no 3º Salão UNAMA de Pequenos Formatos, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na II Bienal da Gravura, na 4ª e na 2ª Bienal de Gravura de Santo André, na 5ª e na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e figurou entre os vencedores dos editais ProAc de Artes Visuais de 2008, 2010 e 2011. Realizou trinta e uma individuais, cinco delas no exterior. Pratica a fotografia de rua e investe também no fotojornalismo. É colaborador exclusivo da Istockphoto da Getty Images e parceiro da agência de fotojornalismo Foto Arena. Como jornalista colaborou como articulista na primeira versão do Jornal da Ilha, na Folha da Cidade, na revista por dentro do Baepi. Assina a coluna de opinião foto em foco no Nova Imprensa desde 2016.

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