MP denuncia falhas no sistema de oxigênio a pacientes na UTI em São Sebastião

Ao menos duas mortes podem ter sido causadas por problemas nos equipamentos e falta de medicamentos

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Ministério Público ouviu funcionários que confirmaram falhas no sistema de oxigênio (Foto: Helton Romano/NI)
Ministério Público ouviu funcionários que confirmaram falhas no sistema de oxigênio (Foto: Helton Romano/NI)
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O Ministério Público e a Defensoria Pública entraram com uma ação na Justiça, nesta sexta-feira (29/01), denunciando “desabastecimento de oxigênio” na UTI destinada a pacientes com Covid, em São Sebastião. Funcionários do hospital relataram que o problema ocasionou duas mortes em dezembro.

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“Havia um paciente, ainda com ventilação não invasiva, que precisou ser intubado, sendo ligado no ventilador e na rede de oxigênio. Porém, a rede não deu conta, e colocaram o paciente no torpedo (cilindro). O torpedo não funcionou no dia 10 nem no dia 11 de dezembro, acarretando óbito de dois pacientes por falta de oxigênio: dia 10/12 paciente Sidney, e 11/12 paciente João Alfredo”, descrevem os autores da denúncia.

Em outro trecho, os profissionais contam, com detalhes, outro episódio de falta de oxigênio, e citam um acompanhante de paciente como testemunha.

“No dia 12 de janeiro, à noite, com um número maior de pacientes, acabou o oxigênio, com a rede novamente falhando. Os médicos ligaram na manutenção pedindo mais torpedo, mas foram informados que não havia em estoque, e que a equipe estaria usando torpedos indiscriminadamente. Esse fato desestabilizou a equipe, todos os presentes ficaram muito nervosos. Um acompanhante de paciente presenciou a situação e filmou tudo, sendo que ele possui esse vídeo. Esse acompanhante mandou mensagem para o prefeito e para o administrador do hospital cobrando uma solução”, relataram.

A denúncia ainda aponta “escassez de medicamentos básicos de uso emergencial”. “Em reunião, a coordenação do hospital teria relatado que as medicações estariam em falta, e que não haveria dinheiro para aquisição. A equipe de profissionais de saúde afirma que é possível associar o óbito de determinados pacientes à falta de medicação anticoagulante”, dizem os órgãos de fiscalização.

As irregularidades no tratamento aos pacientes internados na UTI respiratória vieram à tona em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, dia 15 de janeiro. A publicação chamou a atenção da promotora Janine Rodrigues e dos defensores Filovalter Moreira e Camila Tourinho. Eles coletaram depoimentos, áudios e documentos sigilosos, que serão enviados diretamente ao e-mail do juiz, e concluíram: “O perigo de dano é evidente, pois a situação se mantém inalterada, sem quaisquer avanços pelo município e pelo hospital, desde a última morte ocasionada pela falta de oxigênio”.

“Não tivemos óbito por falta de oxigênio”

Antes de apresentarem a ação judicial, a promotora e os defensores também analisaram as informações prestadas pelo administrador do hospital, que nega o ocorrido. “Não tivemos nenhum óbito por falta de oxigênio, mas tão somente em decorrência de complicações naturais na evolução dos pacientes, que se encontravam em estado grave”, diz o ofício assinado por Wilmar Ribeiro.

A versão do administrador, porém, não convenceu os membros do MP e da Defensoria. Para eles, o hospital tentou “esconder a realidade vivenciada pelos profissionais de saúde de São Sebastião, deixando de esclarecer que já houve queda do grau de pureza do oxigênio, para baixo dos níveis estabelecidos, quando a rede das usinas entrou em colapso, devido ao grande número de pacientes”.

Prefeitura diz que unidades de Saúde possuem 3 usinas de armazenamento de oxigênio próprias (Foto: PMSS/Divulgação)
Prefeitura diz que unidades de Saúde possuem 3 usinas de armazenamento de oxigênio próprias (Foto: PMSS/Divulgação)

Entre os pedidos dos denunciantes, estão a compra de mais cilindros e a interdição das usinas para perícia. Além disso, apresentaram uma lista de medicamentos que devem ser adquiridos emergencialmente.

O caso agora está nas mãos do juiz Guilherme Kirschner, que deve proferir uma decisão até segunda-feira (1/02).

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns ao Ministério Público e a Defensoria Pública pela iniciativa de mostrar a realidade que ocorre debaixo dos nossos narizes, e o descaso da saúde por parte dos governantes

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