Professora em tratamento de depressão é demitida em Caraguá

Colégio Adventista também custeava a moradia da profissional e pediu a casa

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A professora foi demitida pelo Colégio Adventista em agosto (Foto: Divulgação)

Uma professora do ensino infantil teria sido demitida do Colégio Adventista de Caraguatatuba, na última semana, por conta de um quadro de depressão. Ela estava afastada e quando iria retornar às aulas após as férias de julho, foi surpreendida com a notícia da demissão ao chegar na escola.

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Segundo informações de pais, Eliana da Silva Farias estava em tratamento psicológico e psiquiátrico por depressão há 2 meses, apresentando melhora progressiva em seu quadro. Ela havia sido afastada da sala de aula em junho, devendo retornar em agosto. Porém, a tia Lili, como era chamada pelas crianças, além de perder o emprego, teve que desocupar o imóvel em que vivia na cidade, também cedido pela escola.

“O colégio somente contrata profissionais vindos de outras cidades, por isso oferece moradia a eles. Tiraram o emprego e a casa dela ao mesmo tempo”, relatou uma mãe que não quis se identificar.

A professora conta que em anos anteriores dava aula em duas turmas, mas este ano havia sido atribuída apenas uma turma, o que impactou diretamente seu salário e estilo de vida. Ela começou a fazer terapia em agosto de 2017 por se sentir oprimida e humilhada e relatou problemas ao dividir moradia com outras professoras, o que segundo ela agravaram seu estado de saúde. Segundo Eliana, a instituição sabia de tudo.

Em maio, a professora iniciou tratamento no CAPS da cidade e em junho saiu de licença médica e foi para Embú das Artes com seus pais. Ela voltou a Caraguá para início das aulas, mas então foi informada da demissão e da expulsão do apartamento. Eliane declarou que nem seus pertences pode tirar do imóvel e que a escola os entregaria na casa de seus pais.

Uma das mães que já teve dois filhos como alunos da tia Lili, informou que a professora era muito dedicada aos alunos, chegando a fazer visitas às famílias e, por se tratar de um Colégio Cristão, orar com eles e fazer estudo bíblico. “Nós pais sabíamos que ela tinha depressão e que estava em tratamento e isso nunca afetou o seu desempenho na sala de aula. O tratamento estava surtindo efeito, ela estava bem melhor, animada para voltar”, contou.

Outras mães optaram por tirar seus filhos da escola após a demissão da professora. “Eu sabia que ela tinha depressão, ela não demonstrava sua doença para as crianças. Não tinha reflexo na sala, creio que as crianças até a ajudavam”, sugeriu Andressa, que também optou por mudar o filho de escola. “Podiam tê-la mantido e colocado uma professora auxiliar para substitui-la em necessidade de ausência”, concluiu.

“Foi uma covardia muito grande a forma como a trataram. Mudei meus filhos de escola pois não compactuo com esse tipo de arbitrariedade”, disse outra mãe.“Demitiram uma professora amorosa, educada, uma pessoa excelente, que fez minha filha se desenvolver bastante no primeiro semestre”, desabafou.

Segundo a psicóloga Tove-Marie Pettersen Antognolli, atualmente a maioria dos professores sofrem de depressão. “Com as afrontas constantes que sofrem em seu ambiente de trabalho, acabam desvalorizados, desmotivados… O número de profissionais afastados por depressão, crise de ansiedade, síndrome do pânico é enorme”, explica.

A depressão precisa ser tratada com terapia antes que se torne gravíssima, crônica, e com remédios que só podem ser receitados por psiquiatra. “A terapia ajuda a pessoa a sair da crise, entender os porquês. O medicamento ajuda a sair da depressão e a readaptar-se. Mas é preciso de um ambiente favorável em casa e no trabalho. O doente precisa de apoio, durante o tratamento, não de demissão. A professora precisava de acolhimento e não descarte. Pessoas não são descartáveis”.

Lei

É preciso saber quando venceu a licença médica da professora. Se a doença não for decorrente do trabalho se ela estiver sem licença médica, a instituição tem por direito dispensá-la, explica o advogado Adonis Trindade. Porém, se houver um tratamento médico, uma licença, a demissão não pode ocorrer, há uma estabilidade. Se a doença for decorrente do trabalho, há um amparo por estabilidade funcional. Se for pré existente, pode ocorrer a demissão desde que não esteja em licença. Cada caso deve ser estudado individualmente, pontuou.

Colégio

Através de nota à imprensa, o Colégio Adventista de Caraguatatuba informa que o desligamento operou-se em estrita observância à legislação trabalhista do País.
“Inobstante o desligamento, ao contrário do que se divulgou, todo apoio foi prestado à funcionária, tanto durante a vigência do contrato de trabalho como também após a rescisão, inclusive no que se refere ao custeio da mudança e transporte para outro município’

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