Ano de 1927. Nossa pequena cidade, isolada como as demais do Litoral Norte, conhece um importante empreendimento que iria mudar seus rumos econômicos e culturais. De capital inglês, maquinários, novas técnicas, novas edificações e, sobretudo, novos costumes aportavam na Princesinha do Litoral. Era fundada a unidade da Cia. Brasileira de Frutas, ou mais comumente conhecida, a Fazenda dos Ingleses, em Caraguatatuba.

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Durante 40 anos esta empresa utilizou a vasta retroárea agricultável de Caraguá, na produção de laranja tipo grapefruit, bananas e aguardente, sob rotina que mesclava modernas técnicas agrícolas e industriais.

Fazenda dos Ingleses e o terminal de embarque (Foto: Arquivo Público Caraguá)

Suas locomotivas interligavam todos os bairros da cidade e findavam no Porto Novo, terminal ferroviário e fluvial. Neste local,as linhas de produção tratavam de embalar as frutas, produzir a cachaça e embarcar no Rio Juqueriquerê os produtos para serem remetidos aos mercados da Europa.

No ano de 1967, já combalida financeiramente, sucumbiu com a Catástrofe de Março daquele ano. Encerrou assim as atividades. O que restou para o futuro? Seu casario, suas ruínas, as lembranças e relatos dos caiçaras que com orgulho fizeram parte de seus quadros.

Mas poderíamos ter mais. Contudo, com o abandono e descaso de anos e anos, seus vestígios (principalmente no Porto Novo) perecem no tempo e na destruição. As antigas casas dos trabalhadores poderiam ser restauradas e as ruas reabertas, para uso como moradias de interesse social. Os antigos galpões transformados em equipamentos públicos. O cais do porto fluvial um local de passeio e lazer.

Enfim, todo o complexo, Sítio Histórico de Paisagem Notável, que congrega vestígios arqueológicos, arquitetônicos, cênicos e imateriais seria enfim, um patrimônio do município, motivo de orgulho e desenvolvimento para Caraguatatuba, São Paulo e o Brasil.

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