Num Brasil distópico onde é xingado de idiota quem sai à rua em defesa da educação e da ciência, o funcionamento do tempo e a ação da natureza desandam. A sensação de urgência, de falta de ar dando dor no peito nos sobressalta no sono e na vigília. E o clima, ah, o clima…

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Uma chuvarada se derramou sobre nós. Em Ilhabela, os extremos da cidade não mais se comunicam por ficarem os caminhos interditados.

E como o Brasil é aqui, aqui chegou a Polícia Federal invadindo casas e repartições. Logo na Semana da Cultura Caiçara, o prefeito caiçara foi afastado do cargo num dia para ser cassado noutro.

E a Congada de Ilhabela na Festa de São Benedito, o ponto alto da Semana, que desde sempre foi abençoada por céus azuis, teve o levantamento do mastro fustigado por chuva e chuva mais grossa impediu os congueiros de se exibirem ao ar livre na manhã do sábado.

Se isso frustrou tirar foto deles, por outro lado estimulou escapar ao lugar comum de foto de Congada procurando encanto onde ele se oculta. As fotos da coluna vão dar protagonismo a gente que fica escondida nos bastidores dessa festa: devotos de São Benedito que trabalham infatigavelmente para bem alimentar um batalhão de pessoas que ocupam todo o espaço do grande salão paroquial da igreja matriz e ainda formam extensa fila para lá entrar.

Gente que se acostumou a ficar na sombra, sem brilhar em fotografia e filme como brilham os congueiros coloridos se confrontando no calçamento sob o olhar embevecido da plateia.

Todavia, é essa gente merecedora de estampar capa de jornal e se isso agora não acontece porque em nossos distópicos tempos o Nova Imprensa não virou impresso, fica essa gente ao menos destacada para embelezar esta foto em foco.

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Márcio Pannunzio
Márcio Pannunzio é artista plástico, trabalhando com desenho, gravura, pintura e fotografia. Fez trinta e sete individuais, cinco delas no exterior. Participou de mais de uma centena de certames internacionais de gravura e foi premiado na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières ( Canadá ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 11ª Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe ( Porto Rico ), na 3rd International Biennial Racibórz 2000 Poland ( Polônia ), na The 3rd International Mini Print Cluj-Napoca ( Romênia ), no 3º Concurso Internacional de Mini Grabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na 5ª Bienal Nacional de Grabado en Relieve – 1ª Iberoamericana XYLON Argentina, na III Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana 2004, na 1st International Small Engraving Salon Inter-Grabado 2005 ( Uruguai ), na 2ª e na 3ª Muestra Internacional de Miniprint en Rosário ( Argentina ). No Brasil foi premiado em quarenta e cinco ocasiões, entre elas, no 10° Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 3º Salão Victor Meirelles, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na II Bienal da Gravura, no 2º Salão SESC de Gravura, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na 4ª Bienal de Gravura de Santo André, na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e premiado nos Programas de Ação Cultural do governo do estado de São Paulo – ProAcs Edital de 2008, 2010 e 2011 e ProAc ICMS de 2013.

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