Turista do Paraná é presa por racismo em Ilhabela

A vendedora teria ofendido e ameaçado de morte um jovem de origem libanesa durante um passeio de escuna

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O caso aconteceu durante passeio de escuna neste feriado de Páscoa (Foto: Divulgação)

Uma mulher de 44 anos que visitava Ilhabela neste feriado de Páscoa foi presa acusada de racismo, no último sábado (20). A vendedora C.A.C, natural da cidade de Santa Isabel do Ivaí, no estado do Paraná, teria ofendido e ameaçado de morte um comerciante de origem libanesa durante um passeio de escuna pelo arquipélago.

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Segundo a vítima, que tem 28 anos e mora na cidade de São Paulo, a briga começou por que ele sentou no lugar dela. Ele se negou a sair e ela teria dito que ele é “um lixo e que merecia morrer, pois estava no país dela”. Ela teria ainda repetido que pessoas do Líbano “mereciam morrer” durante toda a viagem. Segundo o Boletim de Ocorrência, o marido da vendedora também tentou agredir o rapaz e foi contido pelos demais turistas na embarcação.

A suspeita negou as acusações, bem como seu marido, mas acabou presa em flagrante, pois pelo menos três testemunhas confirmaram a versão da vítima. A acusada afirmou que tinha deixado seu chinelo no local e que quando voltou o comerciante teria tirado de lá para “pegar seu lugar”, porém ele respondeu que não existiam assentos reservados e houve discussão, mas sem as ofensas denunciadas.

O grupo desceu da escuna no píer da praia do Perequê e a Polícia Militar foi acionada. Segundo uma das testemunhas, que trabalha na agência responsável pelo passeio, a discussão teria continuado em terra, mas acabou com a chegada dos policiais.

O crime de racismo é inafiançável, segundo a legislação brasileira. Apesar de ter negado o crime, o delegado Rodolfo Augusto Pereira optou pela prisão em flagrante baseado na versão da vítima e das testemunhas. Ele lembrou a Constituição de 1988, que determina o repúdio ao racismo como um dos princípios que devem reger e República e suas relações internacionais, pois a “superioridade de uma determinada raça sobre outra gera consequencias sociais extremas”. A suspeita foi enquadrada no artigo 20 da lei 7716/89 e segue à disposição da Justiça.

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela reportagem 👏👏👏Em um país que sempre a impunidade é regra,essa atitude foi uma esperança para nós….
    Ótima jornalista que nos trouxe essa informação .
    Muito bom mesmo….

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