Um local cercado de mistérios bem perto do centro de Caraguatatuba, a Praia da Pedra da Freira é conhecida dos moradores, mas muitos não sabem a origem no nome inusitado. As curiosidades começam já no caminho onde há um simpático mirante chamado “Por do Som”, no bairro Camaroeiro. De lá, os visitantes precisam acessar a praia a pé por uma trilha com degraus de pedra. São dez minutos de caminhada até a pequena faixa de areia clara e a formação rochosa que inspirou o nome do lugar, que de fato lembra uma freira ajoelhada e seu hábito esvoaçante.

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Os moradores do local contam que segundo a lenda, a tal freira era apaixonada por um pescador e todos os dias o esperava regressar do mar com seus peixes. Mas um dia, ele não voltou da pescaria e ela teria virado pedra de tanto esperar o retorno de seu amado. Apesar do teor trágico da história que permeia o lugar, a praia oferece águas tranquilas, sem formação de ondas, ideal para famílias e crianças pequenas, e também para passeios de caiaque. Pela manhã, com a maré baixa, é possível ainda acessar as pedras que formam pequenas piscinas naturais. E para completar o cenário, há ainda uma casinha na árvore no canto da praia, onde os visitantes podem passar a noite.

No local mora apenas uma família há mais de 40 anos. Entre a prefeitura e os moradores há uma troca de gentilezas: eles lá se refugiam e em troca cuidam da praia, retiram o lixo e oferecem estrutura de banheiro e ducha aos banhistas. A família oferece ainda bebidas, lanches e petiscos em um quiosque com mesas e cadeiras à sombra das árvores, aluguel de caiaque e Stand Up Paddle, além de uma lojinha de conveniência.

O nome oficial é Praia do Garcêz, sobrenome da primeira família a morar no local. Mas poucos a conhecem com esse nome, explica Fernando de Lima Barbosa, 35 anos, um dos responsáveis pela praia. “Minha sogra mora aqui há mais de 40 anos. Ela teve nove filhos, o mais velho faleceu e eu me casei com a mais nova há 18 anos”.

Ele conta ainda que a manutenção do belo quintal não é fácil. “Vem lixo de outras praias, além das árvores que soltam muitas folhas; os frequentadores daqui quase não jogam lixo no chão, mas as lixeiras ficam cheias rápido. Temos que limpa-las o dia todo. Além disso tem a escada que também precisa ser limpa diariamente. Muitas folhas caem, cria limo; temos que passar vap e fazer limpeza constante para que os turistas não corram risco de escorregar. Aqui não tem água da Sabesp. Nós conseguimos canalizar água da nascente. Uma parte é usada em casa, outra deixamos para os turistas usarem para um banho, gratuitamente. Nós fizemos um banheiro e deixávamos de graça, mas chegamos em um extremo que o pessoal sujava demais e começamos a cobrar uma taxa simbólica”, explica.

Ele conta que na temporada, eles acordam 5h da manhã diariamente pra limpar a praia antes dos turistas chegarem. “Na temporada chegamos a tirar 50 sacos de lixo por dia”. Fernando conta ainda que ouve muito que moram no paraíso, “mas na hora de descer com botijão de gás ou com compras não é fácil. É um quintal difícil de limpar e acessar”, brinca. “Mas é o custo para morar num lugar bonito como esse”, conclui.

A casa na árvore

No canto esquerdo da praia, perto do quiosque, há uma casa na árvore com cama de casal, televisão, frigobar e uma varanda própria para ver o pôr-do-sol. A casinha foi idealizada e construída há 15 anos por Evilmar Fernandes Soares. “Sempre sonhei, desde criança, ter uma dessas e quando vi essa árvore entedi que era perfeita. Eu projetei a casa com tamanho de 6 metros quadrados”, conta satisfeito.

“Já alugaram para lua de mel, festa do pijama de meninas pra ver o pôr e o nascer do sol. Um casal fará a cerimônia aqui na praia e alugou a casinha pra passar a noite de núpcias. E quem já veio uma vez quer vir sempre”, conta sua esposa Valdeliza Batista da Silva.

Os interessados em alugar a inusitada casinha na árvore, podem entrar em contato pelo telefone: (12) 99608-2797.

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