Artista caiçara inaugura exposição de 50 anos de carreira

Autodidata, Giba Ilhabela é reconhecido internacionalmente e tem obras em museus e acervos pelo mundo

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Autoridades prestigiam abertura da exposição de Giba (Foto: Lari Pinna)

O artista caiçara Giba Ilhabela completou 50 anos de carreira em 2018 e para celebrar a data especial, inaugura a exposição “50 Anos Fazendo Arte”, no arquipélago onde nasceu e foi criado. A abertura do evento contou com a presença de mais de 200 visitantes, entre autoridades e artistas, neste sábado (20). A mostra segue até 5 de maio, na sede da Fundaci, na Vila, e conta com 33 obras inéditas que variam de desenhos em bico de pena até pinturas em acrílico e tela.

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Participaram do coquetel o prefeito de Ilhabela, Marcio Tenório, o secretário de Cultura, Professor Beto e o secretário executivo da Fundaci, Adilson Nascimento. Nomes de peso da arte ilhéu também prestigiaram o evento, como Renato Paschoal e Márcio Pannunzio.

Gilberto Gomes Pinna completou 71 anos e segue impetuoso em suas criações. Todas as obras da exposição foram desenvolvidas especialmente para a ocasião e seguem uma ordem cronológica, contando sua vida e trajetória artística através dos quadros. Giba é autodidata e cria obras que variam do desenho com técnicas mistas até o reconhecido estilo naif, passando por influências do ilusionismo fantástico e do abstrato. Saído de uma infância simples na praia da armação, hoje o artista é reconhecido em todo o mundo e possui obras em importantes museus e pinacotecas fora do país, além de acervos pessoais pelo mundo.

Assim como as histórias misteriosas de Ilhabela, que incluem piratas reais, naufrágios trágicos e tesouros escondidos, Giba traz para a exposição o retrato de sua origem, rodeado pela cultura tradicional caiçara da salga do peixe, pesca artesanal e confecção de canoas e redes. Além das festas religiosas, como a consagrada Congada de São Benedito da qual é um dos primeiros participantes. Sua influência passa ainda pela migração para São Paulo, onde consolidou sua técnica na fervorosa Praça da República nos anos 1970, e pela rica cultura nordestina, já que mora hoje em Fortaleza e integra a roda de artistas cearenses contemporâneos.

O artista teve como mentor o consagrado pintor basco Fernando Odriozola, que definiu influências decisivas para a consolidação de sua técnica. Os dois conviveram em Ilhabela e, inclusive, fundaram o primeiro movimento cultural do município, em 1967, quando criaram um ateliê coletivo que se tornou referência regional e berço para o tradicional salão de artes Waldemar Belisário, que completou 45 anos.

O evento tem curadoria do artista Eros Pinna, com realização da Prefeitura de Ilhabela por meio da Secretaria de Cultura e Fundaci, e apoio do grupo O Ancoradouro, Livraria Nobel Caraguá e MG Editora.

Rifa

Um dos principais símbolos da cultura de Ilhabela, a Congada de São Benedito, foi retratada na tela “Ceia dos Congueiros”, em uma referência a Santa Ceia com pitadas da cultura africana. O quadro será rifado e o valor arrecadado será revertido para a Associação dos Congueiros de Ilhabela.

A obra é uma homenagem a São Benedito, único santo negro da igreja católica. Filho de escravos etíopes, o santo deixou suas marcas em Ilhabela, onde é conhecido por operar milagres e onde também a escravidão moveu a economia durante décadas. Houve um período no arquipélago que a população negra trazida em navios de todo o mundo era maior do que a de homens livres. Os descendentes dessa história ajudaram e formar a nação e a identidade caiçara e fundaram a Congada de São Benedito.

Workshop e Intervenção

Giba Ilhabela também preparou para seus 50 anos de carreira uma vivência especial, voltada às crianças. O artista vai conduzir uma pintura coletiva com 50 alunos da rede escolar no próximo domingo (28/4). Ele vai abordar técnicas de desenho e pintura para que os estudantes recriem a obra “Armação” em uma releitura individual. A criança que fizer a melhor pintura será premiada e todos levarão medalhas para casa.

Na parte da tarde, o artista comanda uma intervenção urbana, retomando o movimento “Arte e Pensamento Ecológico”, criado na década de 1970. Levando em conta o momento ecológico desastroso em que vivemos, Giba retoma o movimento pioneiro que criou obras contundentes na crítica contra a exploração insustentável da natureza. Em uma época em que ainda pouco se falava destes problemas, Giba e seu grupo pintavam quadros retratando a morte de índios, animais e a destruição da flora brasileira. Ele conta que quase foi preso por abordar estes temas na época, mas também foi um dos primeiros a trazer à tona essa importante discussão.

Serviço

Exposição “50 Anos Fazendo Arte”
Local: Fundação de Arte e Cultura de Ilhabela (Fundaci)
Endereço: Avenida Dr. Carvalho, n° 80 – Centro Histórico – Vila
Horário: Segunda a quinta, das 9h às 18h – Sexta, das 9h às 22h – Sábado, das 14h às 22h – Domingo, das 10h às 20h

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