FOTO EM FOCO: Semana de Vela de Ilhabela

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A abertura da Semana de Vela de Ilhabela sempre rende foto de cartão postal. É quando os veleiros desfilam em frente ao píer da Vila, sempre lotado de moradores e turistas. Aí fica fácil fotografar os barcos e tripulações que nos dias de regata se perdem no horizonte e então só os fotógrafos contratados pelo evento os acompanham, navegando ao lado deles de lancha. Às vezes, dá sorte e eles velejam próximos à orla, nas praias mais povoadas, como as do Perequê e Itaguaçu e então somos presenteados com a exibição graciosa de suas idas e vindas no mar, numa dança inspirada pelo vento.

Esta Semana de Vela foi diferente das anteriores porque houve protesto de pescadores e caiçaras, reivindicando melhores condições de pesca e maior respeito à cultura caiçara. Várias embarcações pequenas e frágeis, algumas delas rústicas canoas de madeira, se agruparam quase coladas ao píer. Os manifestantes, em pé se equilibravam no balanço da marola e, desfraldando suas bandeiras, atraíam para si os olhares do público.

O locutor que apresentava o desfile, entretanto, nada disse sobre esse inesperado espetáculo, como se ele não existisse.

Isso não causa espanto. Pois nas edulcoradas propagandas oficiais, sempre se veem reluzentes veleiros e possantes lanchas singrando o canal e sorrisos todo dentes de gente de propaganda de creme dental e de protetor solar. Nelas não há mesmo espaço algum para toscas canoas caiçaras de madeiras carcomidas antigas e muito menos para os caiçaras de pele curtida pelo sol e pela lida doída da pesca figurarem.

E elas se encerram com o slogan “vida natural”.

Vá lá saber o que isso quer dizer. Quem sabe o saibam os/as endinheirados/as eco chatos/as proprietários/as de bólidos meio ônibus, os esportivos utilitários – tradução para o português da palavra inglesa da moda SUVs – que ora correm macio macio nas ruas recém recapadas da cidade esparzindo na sua passagem barulhenta o fedor do óleo diesel. Para eles/elas, seguramente um dos bês que afugentavam turistas da Ilha já caiu: o bê de buracos. Outro bê, o de balsa, vai já sumindo porque as balsas são cada vez maiores e mais rápidas e mais numerosas, tornando a travessia brincadeira de criança, muito embora sempre haja gente insatisfeita.

O último dos bês, borrachudos, ainda responde presente. Todavia, com voz débil e é de se esperar que logo inaudível por causa da sua matança que os folclóricos fumacês do passado nunca lograram conseguir mas que a ocupação desordena e a poluição dos cursos d’água, vão sim, conseguir. 

Por Márcio Pannunzio

 

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Márcio Pannunzio
Márcio Pannunzio é artista plástico, trabalhando com desenho, gravura, pintura e fotografia. Fez trinta e sete individuais, cinco delas no exterior. Participou de mais de uma centena de certames internacionais de gravura e foi premiado na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières ( Canadá ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 11ª Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe ( Porto Rico ), na 3rd International Biennial Racibórz 2000 Poland ( Polônia ), na The 3rd International Mini Print Cluj-Napoca ( Romênia ), no 3º Concurso Internacional de Mini Grabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na 5ª Bienal Nacional de Grabado en Relieve – 1ª Iberoamericana XYLON Argentina, na III Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana 2004, na 1st International Small Engraving Salon Inter-Grabado 2005 ( Uruguai ), na 2ª e na 3ª Muestra Internacional de Miniprint en Rosário ( Argentina ). No Brasil foi premiado em quarenta e cinco ocasiões, entre elas, no 10° Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 3º Salão Victor Meirelles, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na II Bienal da Gravura, no 2º Salão SESC de Gravura, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na 4ª Bienal de Gravura de Santo André, na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e premiado nos Programas de Ação Cultural do governo do estado de São Paulo – ProAcs Edital de 2008, 2010 e 2011 e ProAc ICMS de 2013.

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