- Publicidade -
A gente sabe que para fotografar bem é preciso aguçar o olho para capturar o instante mágico. Aquele onde tudo vibra harmoniosamente e por isso é único. No tempo, é um fragmento minúsculo, praticamente imperceptível na sucessão frenética de frames da vida que viram passado e mergulham no oblívio.
 
Precisamos de bastante treino para conquistarmos essa capacidade quase sobre-humana. Porque para congelar instantes mágicos será preciso saber antecipá-los, enxergá-los antes que eles se materializem. Pois a todo momento a existência se reconfigura em composição diferente da anterior exigindo um exercício de adivinhação que para aprisionar uma situação especial, deve prever o futuro.
 
Veneramos os mestres da fotografia por sua habilidade de fazerem isso, algo aparentemente inalcançável para nós, comuns mortais. É certo que muitas das fotos magistrais foram feitais dessa maneira, mas mesmo na época do filme, para se obter o melhor negativo, várias fotos sucessivas eram tiradas. Sim, porque esses mestres podiam queimar filme e geralmente queimavam.
 
Quem almeja fotografar com perícia precisa mesmo desenvolver esse sentido premonitório, porém, pode da situação fotografada tirar não uma única foto, mas duas ou três porque dessa forma buscaria se assegurar de ter êxito.
 
Esse sentido premonitório é um dos maiores prazeres com que a fotografia presenteia os que a levam a sério. É uma satisfação perceber esse poder nos servindo e sob sua ação criarmos uma consciência robusta do mundo, eliminando a estática que nos rodeia.
 
Porém, como toda regra às vezes até convém ser quebrada, podemos praticar também uma fotografia veloz, onde a premonição cerebral ceda lugar à intuição. Fotografar em movimento, dentro do carro, dentro do ônibus. A vida então ofusca e embaralha o olhar e aí não dá para pensar com calma. Tudo é tão rápido que não sabemos mais o quê e nem quando fotografar.
 
As fotos da coluna ilustram esse jeito intuitivo de, em fração de segundos, apontar a câmera e disparar o obturador e foram feitas à janela, em movimento, congelando paisagens, gestos, respiração.
 
Por Márcio Pannunzio
Quer conhecer todas as colunas Foto em Foco já
publicadas por Márcio Pannunzio no Nova Imprensa?
*Os direitos autorais das fotos da coluna Foto em Foco pertencem a Márcio Pannunzio. Desrespeitar o direito do autor é crime. Havendo interesse em usar qualquer fotografia da coluna para fins jornalísticos, institucionais, didáticos ou publicitários, entre em contato para negociar o devido licenciamento de uso de imagem: marciopann@gmail.com
  Conheça mais trabalhos de Márcio Pannunzio pelos sites: www.marciopan.art.brwww.marciopan.comwww.ilhabelaemfoco.com e www.retratararte.com. E aqui no Foto em Foco, toda semana uma diferente série fotográfica.
Matéria anteriorJustiça manda prefeito de São Sebastião exonerar assessores comissionados
Próxima matériaAmbiental apreende 18 ton de tainha e pescadores são multados em R$ 10 milhões
Márcio Pannunzio
Márcio Pannunzio é artista plástico, trabalhando com desenho, gravura, pintura e fotografia. Fez trinta e sete individuais, cinco delas no exterior. Participou de mais de uma centena de certames internacionais de gravura e foi premiado na XYLON 12 – International Triennial Exhibition of Artistic Relief Printing ( Suíça ), na Biennale Internationale d’Estampe Contemporaine de Trois-Rivières ( Canadá ), na BIMPE V – The Fifth International Biennial Miniature Print Exhibition ( Canadá ), na 11ª Bienal de San Juan del Grabado Latinoamericano y del Caribe ( Porto Rico ), na 3rd International Biennial Racibórz 2000 Poland ( Polônia ), na The 3rd International Mini Print Cluj-Napoca ( Romênia ), no 3º Concurso Internacional de Mini Grabado “Ciudad de Ourense” ( Espanha ), na 5ª Bienal Nacional de Grabado en Relieve – 1ª Iberoamericana XYLON Argentina, na III Bienal Argentina de Gráfica Latinoamericana 2004, na 1st International Small Engraving Salon Inter-Grabado 2005 ( Uruguai ), na 2ª e na 3ª Muestra Internacional de Miniprint en Rosário ( Argentina ). No Brasil foi premiado em quarenta e cinco ocasiões, entre elas, no 10° Salão Paulista de Arte Contemporânea, no 3º Salão Victor Meirelles, no 50º Salão Paranaense, na 10ª Mostra da Gravura Cidade de Curitiba, na II Bienal da Gravura, no 2º Salão SESC de Gravura, na VIII e na VII Bienal do Recôncavo, na 4ª Bienal de Gravura de Santo André, na 3ª Bienal Nacional de Gravura Olho Latino. Foi bolsista da Fundação Vitae em 2002 e premiado nos Programas de Ação Cultural do governo do estado de São Paulo – ProAcs Edital de 2008, 2010 e 2011 e ProAc ICMS de 2013.

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, informe seu nome aqui