Programa luta pela preservação das jacutingas em Caraguatatuba

Ameaçadas de extinção, elas repovoam a Mata Atlântica
Ave come 41 tipos de frutos (Fotos: Divulgação)

Por Mara Cirino

Caraguatatuba faz parte de programa que hoje luta pela preservação e conservação das jacutingas, espécies de aves responsáveis pelo repovoamento e pela manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica. A extração de palmito Juçara tem prejudicado o desenvolvimento dessas aves uma vez que elas vivem no topo da palmeira (Euterpe edulis).

O programa foi uma exigência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com a finalidade de atender parte das condicionantes ambientais referentes a licença de instalação do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (GasTau), construído pela Petrobras.

A Save Brasil executa este projeto, coordenado pela bióloga Alecsandra Tassoni, que está na região desde 2010, ano em que foi realizado um censo com o Programa de Conservação de Aves Cinegéticas da Mata Atlântica: Reintrodução e Monitoramento de Jacuntinga (Aburria jacutinga) e tem como uma de suas funções monitorar as jacutingas avistadas no Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) - Núcleo Caraguatatuba (NuCar). Neste censo, houve avistamento de apenas uma única jacutinga na região.

Caraguatatuba abriga as fases de aclimatação, soltura e monitoramento deste projeto. Para isto, conta com um viveiro dentro do PESM onde as aves chegam, oriundas de um viveiro localizado em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos. Este monitoramento é feito pelo colaborador do projeto e licenciado em ciências biológicas, Roque Alves Pereira. 



As jacutingas são importantes nesse ambiente porque elas comem 41 frutos da Mata Atlântica e são consideradas uma das maiores dispersoras de semente pela mata. “Sem espécies dispersoras, muitas espécies vegetais tendem a extinguir-se, o que compromete a biodiversidade da Mata Atlântica, de espécies da flora e da fauna porque existe uma interdependência entre espécies vegetais e animais”. 

Como a ave tem por hábito ficar sobre o palmito Juçara, a sua extração, lembrando que é proibida – significa também o abatimento e caça ilegal da jacutinga. 

Reprodução em cativeiro

As aves chegam na fase adulta no viveiro de São Francisco Xavier e passam por treinamento alimentar e contra predadores naturais como gaviões (Falconiformes), macaco-prego (Sapajus), cachorros (Canis lupus familiaris), felinos como a onça parda (Puma concolor) de forma a saber como agir quando forem soltas na natureza. 

Após essa fase, elas são enviadas para Caraguatatuba onde é feita a soltura. Nos últimos dois anos foram liberados três casais, na região do PESM-NuCar.

Esse acompanhamento é feito pelo biólogo Roque Alves que tem como missão saber o que fazem quando são avistadas. Para isso, elas recebem um transmissor de VHF nas costas e o monitoramento é feito com auxílio de equipamentos rádio receptor VHF, tablet, GPS e binóculos. 

Por uma hora, o monitor anota tudo que fazem como comer, beber água, dormir, interagir com o meio, ou com outra jacutinga, e se executam manutenção de penas, entre outras atividades.

“Importante destacar que em cativeiro a jacutinga pode viver até 28 anos. Já na natureza, a expectativa de vida é de 18 a 20 anos. Isso se não foram caçadas de forma ilegal”, alerta a pesquisadora Alecsandra Tassoni.
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