Litoral Norte se mobiliza para Dia Mundial do Diabetes

A doença é a mais comum entre as não transmissíveis e pode e deve ser controlada
Posto volante atende moradores de Ilhabela hoje (Foto: PMI/ Divulgação)

Por Fernanda Veiga

Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes e as cidades do Litoral Norte se mobilizam para promover a cosncientização sobre a doença. A data foi escolhida pelo aniversário de Frederick Banting, médico canadense que juntamente com o seu colega, Charles Best, conduziu as experiências que levaram à descoberta da Insulina em 1921.

Em Ubatuba há uma tenda da Secretaria de Saúde montada no Calçadão, no Centro, onde profissionais estão realizando o teste rápido de glicemia e também orientando sobre alimentação e hábitos saudáveis. Foram mais de 300 atendimentos realizados somente no período da manhã até às 13h. 

Na cidade de Ilhabela,  são oferecidos teste de glicemia e pressão durante todo o dia de hoje no Paço Municipal, no Perequê. O arquipélago conta ainda com o programa Saúde da Família, acompanhado por meio do programa federal Hiperdia (hipertensão e diabetes). O paciente diagnosticado com uma dessas doenças recebe uma sequência de atendimentos, iniciada com o médico ou enfermeiro da Unidade de Saúde, que o encaminha para outros programas de Autocuidado Apoiado. O projeto prevê cuidados com profissionais educadores físicos, nutricionistas, terapeutas, fisioterapeutas, etc, em busca da melhor qualidade de vida.

No Brasil, a diabetes é a segunda causa mais importante que leva a diálise, perdendo só pra hipertensão. Se não tratada, a doença pode causar perda de visão com retinopatia, neuropatia que causa dores ou perda de sensibilidade, aumenta o risco de problemas cardiovasculares, de infarto e AVC, alterações de nefropatia.

De acordo com a médica endocrinologista e metabologista especialista em diabetes no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Fernanda Gomes de Mello, só metade das pessoas que são diabéticas, sabem da doença, ou seja, tem um diagnóstico. Desses, só metade busca tratamento. Dos que buscam o tratamento, só metade tem a diabetes bem controlada e dos que conseguem atingir o bom controle, só metade consegue manter esse bom controle ao longo do tempo e isso dá cerca de 6,25% de uma população gigantesca. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Internacional Diabets Federation ( IDF) estimam que 10% da população mundial é diabética atualmente. No Brasil, os postos de saúde possuem programas permanentes de controle da diabetes.

Controle

Diabetes define o conjunto de doenças que são caracterizadas pela incapacidade do organismo de manter o açúcar do sangue sob controle,  dentro dos limites normais. A mais comum é a diabetes Tipo 2, que afeta geralmente pessoas acima do peso, com histórico  familiar importante (vários casos na mesma família) e que aparece geralmente depois dos 40 anos.

A diabetes Tipo 2 é uma doença previnível, o índice de obesidade cresceu nos últimos 10 anos e com isso cresceram os números de casos de diabetes Tipo 2 e uma coisa está diretamente ligada a outra, e “há várias décadas, existem evidências científicas que a dieta bem balanceada,  equilibrada, atividades físicas  e manter o peso saudável  pode sim fazer com que a pessoa que tem tendência, não  se torne diabética” – explica Fernanda. Existem tratamentos com medicação via oral, medicações injetáveis e ao longo do tempo de tratamento da doença, o paciente pode evoluir e passar a ter necessidade da insulina.

A diabetes Tipo 1 é uma doença autoimune que aparece geralmente em crianças ou jovens de até 30 anos. E é uma doença mais rara, somente cerca de 1% da população a desenvolve. Os pacientes diabéticos Tipo 1, desde o começo da doença já precisam da insulina. "Nós temos lutado para que o governo facilite o acesso as insulinas mais modernas,  algumas de duração ultra lenta e outras de duração ultra rápida que fazem com que o controle seja muito melhor e mais confortável para os pacientes", afirma a médica.

E continua: “existe também o tratamento com bomba de infusão, que são máquinas  pequenas como um robô que tem a parte mecânica, onde fica o frasco de depósito  da insulina e vai sendo fornecida para o paciente por uma cânula aos poucos e uma parte eletrônica que controla esse fornecimento de acordo com os dados que o médico, paciente e nutricionista em conjunto, escolhem e programam”.

Nos Estados Unidos, a bomba de infusão de insulina é o tratamento de maior preferência dos diabéticos Tipo 1. Aqui no Brasil, apesar de ter vindo faz tempo, há mais de duas décadas, nesses últimos anos tem se tornado um pouco mais acessível, mas através  de ações para receber do governo os insumos, já que o tratamento é mais caro.

Sintomas

No início da doença, para pessoa que já tem o açúcar  aumentado no sangue, pode sentir muita sede, boca seca, urina com mais frequência e é uma urina bem clarinha, mas bastante volume. Alem disso, pode haver câimbras,  embaçamento visual e muito cansaço. Muitas vezes a pessoa vem engordando progressivamente, vai sentindo fome, muita vontade de comer doce e esses sintomas vão aparecendo devagarzinho. Esse paciente geralmente é o diabético Tipo 2. Nas crianças pode aparecer perda de peso rápida  e urina com muita frequência.

Impotência

De acordo com Fernanda, o paciente diabético, de qualquer tipo, se estiver bem controlado, pode ter uma vida sexual completamente normal. "O paciente mal controlado, com a glicemia alta, pode, sim, ter interferência no desempenho sexual, mas geralmente essa piora é transitória, passageira, ou seja, controlando, volta tudo ao normal. Porém, se adoença for mal controlada a longo prazo pode levar a disfunção erétil, alteração do libido, prejudicando muito a vida sexual da pessoa. A diabetes é uma causa muito frequente de impotência".

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