Conjunto habitacional impacta no trabalho e estudo de novos moradores

Maioria será transferida da Costa Sul para no região norte de São Sebastião
Marileide e a felicidade de receber a chave (Fotos: Nova Imprensa)

Por Mara Cirino

A entrega do Conjunto Habitacional São Sebastião F, ocorrido na manhã deste sábado (14), no bairro da Enseada, na Costa Norte, trouxe um dilema para a maior parte dos futuros moradores: a distância de seus atuais lares. Muitos dos beneficiados são da Costa Sul de São Sebastião, distante até 60 quilômetros ou mais de duas horas entre as regiões e residem dentro da Área do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). 

Foram beneficiadas famílias residentes dentro de áreas de Parque, de um total de 400, sendo que parte delas aceitou a mudança. Quem não quis, pode ter de responder processo judicial a ser ajuizado pela Fundação Florestal, responsável pela gestão dos PESMs no Estado de São Paulo. 

As preocupações são com empregos, escolas, unidades de saúde para adultos e crianças. Mas emprego é o que fala mais alto para Seu Joselito Moreira da Silva, 50 anos, ainda morador da Vila Queiroz, em Juquehy, que trabalha com sucata. 


Seu Joselito trabalha com sucata
Ele  recebeu um dos apartamentos com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, com toda a infraestrutura. Mas ainda sim está preocupado porque todo seu serviço está na Costa Sul. 

“Sempre paguei os impostos na minha casa e agora falaram que tenho de sair dela. Não pago mais o IPTU (Imposto Predial de Territorial Urbano) há três meses porque não vou ter mais minha casa e não sei como vou trabalhar nessa distância”. 


Carla e preocupação com escola
Carla Aparecida Matias de Oliveira, 31 anos, tem filhas matriculadas no 5º ano do Ensino Fundamental e no maternal e conta que não sabe como vai ficar a situação delas. 

“Ainda não falaram como posso fazer a transferência das meninas após a mudança”, conta ela que ainda tem a preocupação do marido que trabalha em Juquehy. “Não tem como ele ir para lá todos os dias e é o único emprego fixo que temos”, diz ela que é balconista, mas hoje trabalha como autônoma.


A vendedora Caroline Maria de Jesus, 24 anos, deve se mudar de Maresias, na Costa Sul, onde mora em uma casa no mesmo terreno que seu sogro. Sua preocupação maior é com ele porque no local cria galinha, peixe e ainda tem área onde faz seus trabalhos de marcenaria.

 “Aqui ele não vai ter como fazer suas atividades, por isso queria saber se não vai sair nenhuma unidade habitacional da região onde a gente mora, mas também não podemos deixar essa e correr o risco de derrubarem a nossa e a gente ficar sem nada”. 

A mudança para as 84 unidades habitacionais construídas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional de Urbano (CDHU) começam a ser feitas a partir do dia 26 de setembro e o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), destacou que os novos moradores vão receber todo o apoio educacional e social necessário. 

“A relação das crianças que virão de bairros distantes já foi passada para a Secretaria de Educação e vamos entregar um kit com informações básicas das imediações para que as pessoas conheçam os principais serviços na região e com nome das pessoas responsáveis que possam entrar em contato no caso de necessidade”. 

Feliz mesmo está a dona de casa Marileide Pereira Santos, 59 anos, moradora há 10 anos na Vila Queiroz, que vai se mudar com o filho e um neto e disse estar ‘maravilhada’ com a entrega. 

No momento de receber as chaves ela fez questão de cumprimentar um a um os presentes no palanque. “Estou muito feliz, é maravilhoso saber que vou ter a minha casa”, contou ela que tem casa em área de risco. 

Presente na inauguração, o presidente a CDHU, Humberto Schmidt, destacou que neste momento foram entregues 84 unidades habitacionais entre apartamentos e sobrados e outras 84 ficam pronta no final do ano. O investimento total é de R$ 36 milhões. 

Schmidt destacou, ainda, que esses imóveis são focados para o público atendido pela companhia, ou seja, que tem uma faixa de renda baixa. “Hoje, 60% dos que serão atingindo tem renda média de um salário mínimo (R$ 954)”, exemplificou. Casa de veraneio não é considerado dentro desse perfil.


Foram entregues 84 apartamentos e sobrados  nesta primeira fase
Todos os contemplados terão até 25 anos para pagar o financiamento com subsídio do governo estadual. O valor das parcelas será calculado de acordo com a renda.

Também aderiram ao projeto famílias que residem em áreas de risco ao longo do município de São Sebastião, essas identificadas pela Secretaria de Habitação na Topolândia, Olaria, Itatinga, Morro do Abrigo e Canto do Mar. 

Segundo o secretário da pasta, Ulisses Moreira Neto, nesse último caso são moradias que estão em faixa de areia e sofrem com a ação do mar.



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