Vereadores aprovam repúdio ao projeto que proíbe embarque de gado

Objetivo da ação é impedir que Assembleia Legislativa aprove o PL 31/2018, que visa suspender embarque de carga viva no Estado de São Paulo
O caso do chamado Boi He´roi aconteceu em junho (Foto: Divulgação)

Os vereadores de São Sebastião aprovaram a Moção de Repúdio à proibição de embarque de gado nos portos do Estado de São Paulo. O projeto foi proposto pelo vereador Teimoso e teve apoios dos demais parlamentares. O objetivo é que o documento seja encaminhado à Assembleia Legislativa para impedir a aprovação do PL 31/ 2018, que visa suspender o embarque de carga viva, levando em consideração os maus tratos aos animais. Para Teimoso, a proibição da atividade pode causar desemprego no setor portuário.

O projeto que visa suspender o embarque de carga viva para fins de abate é do deputado estadual Feliciano Filho (PPS) e está prestes a ser votado. O movimento ganhou força após dois episódios de queda de animais no mar durante o embarque no Porto de São Sebastião.

De acordo com ativistas da causa animal, os navios que transportam gado viajam meses sem condições míninas de higiene e alimentação para os animais. Além disso, o impacto ambiental também seria expressivo, pois as embarcações utilizadas possuem condições precárias e depositariam diretamente no mar fezes, sangue, vísceras e até corpos de animais que morrem frequentemente nos trajetos.

Já Teimoso considera a iniciativa um retrocesso e diz que o embarque de carga viva representa um terço da movimentação no Porto de São Sebastião. Segundo ele, a atividade gera 200 empregos diretos e 300 indiretos a cada embarque. O repúdio ao projeto deve ser colocado em votação após o recesso parlamentar de julho.

O Boi Herói

No dia 14 de junho, um boi que estava sendo embarcado no Porto de São Sebastião caiu no mar e nadou durante cinco horas, quando foi resgatado pela tripulação do veleiro Endurance a 10 quilômetros de distância do local da queda. A equipe rebocou o animal até a praia das Cigarras com uma boia para flutuação da cabeça. Segundo os tripulantes, o animal estava muito estressado e tentou subir na embarcação com visível desespero. Devido o episódio o animal ficou conhecido como Boi Herói. Ativistas ainda tentaram comprar o animal para libertá-lo, mas ele foi reembarcado no navio Adelta, de bandeira do Panamá, rumo ao Oriente Médio. 

Após o episódio, entidades envolvidas na operação divulgaram medidas de precaução. Segundo Valdner Bertotti, responsável pela empresa VB Agrologística, medidas estão sendo adotadas pelas empresas e principalmente a Cia Docas, responsável pelo Porto. “O pessoal do porto já disponibilizou uma embarcação que ficará a postos 24 horas nos dias de embarque de gado para, caso seja necessário, fazer o resgate de algum animal. Além disso, já estamos em fase de testes à instalação de equipamentos que minimizam os odores que este tipo de carga traz para a cidade e já temos implantado um sistema eficiente de monitoramento e higienização dos locais por onde os caminhões passam”, disse.

De acordo com o deputado Feliciano, “existem laudos veterinários contrários ao embarque e juízes, procuradores e promotores também já publicaram pareceres contra essa atividade. O sofrimento dura de 15 a 20 dias em embarcações quentes, imundas e apertadas. Estamos vendo até mesmo casos de bois que se jogam ao mar em tentativas desesperadas de fugir desses navios da morte, como foi o caso documentado do boizinho Herói, que pulou de um navio e nadou por cerca de cinco horas em águas geladas até ser resgatado”.

Números do embarque

De acordo com a Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda), o porto de São Sebastião não possui os requisitos ambientais exigidos em lei pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), mas realiza o embarque de 10 mil cabeças de gado por mês em média. A atividade gera uma movimentação média de R$ 300 mil por dia de embarque.

O primeiro navio deste tipo atracou em água sebastianense há 26 anos. A ação chegou a ser interrompida, mas foi retomada no ano 2000 permanecendo até os dias atuais. De acordo com a a Cia Docas, neste período houve um crescimento considerável da operação e embarque de bovinos que normalmente são exportados para países como a Turquia.

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