Conhecida como cracolândia do Litoral, praia do Deodato recebe ação social

Apenas em 2018, dois homens foram encontrados mortos no local; Dois usuários foram levados de volta a sua cidade natal
Ação do Serviço Social e de Saúde teve apoio da GCM (Foto: PMSS/ Divulgação)

Por Daniela Malara Rossi

A praia do Deodato, no Centro de São Sebastião, recebeu uma ação da Prefeituta, na última semana, com objetivo de abordar, cadastrar e traçar um perfil das pessoas que utilizam o local para uso de álcool e outras drogas. A praia tem o nome de um antigo pescador da região, mas hoje é conhecida como cracolândia do Litoral, uma vez que se tornou ponto fixo de usuários, que chegam a montar barracas e passar dias no local.

Durante as abordagens, os profissionais do Serviço Social ofereceram às pessoas o atendimento no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e os serviços da Coordenação da Saúde Mental da Secretaria da Saúde, como por exemplo o tratamento para dependência química, sob supervisão da psicóloga Carla Brasil.

Números

De acordo com a Prefeitura, durante a ação foram identificadas 22 pessoas utilizando o espaço da praia, sendo que desse total: 15 responderam à entrevista da abordagem social; sete aceitaram a orientação, mas não se identificaram; 5 são munícipes e possuem referência de família no CRAS Topolândia; nove são de Ilhabela, os quais possuem referência familiar naquele município; dois são migrantes, sendo um de São Jose dos Campos e o outro de São Paulo; e seis não quiseram responder sobre sua procedência.

Identificou-se também que a maioria das pessoas que utilizam o espaço são homens. Foram abordados 15 homens e sete mulheres na ação. A coordenadora do CREAS, Valéria da Costa, informa que os migrantes foram encaminhados ao atendimento social, e receberam uma passagem para município de origem, São Jose dos Campos e São Paulo, conforme solicitado por eles.


Dois barracos foram identificados na ação (Foto: PMSS/ Divulgação)
Ainda conforme a administração, foram identificados dois barracos construídos com lona, papelão e outros materiais improvisados, os quais não pertencem a uma única pessoa, sendo utilizados pelos diversos frequentadores do local, o que não se caracteriza como moradia fixa.

Violência

Apenas em 2018, duas mortes foram registradas na Praia do Deodato. Em janeiro, um homem de 29 anos, com passagem na Polícia por tráfico de drogas, foi morto com diversos tiros de arma de fogo pelo corpo. No mês de maio outro homem foi encontrado morto, desta vez a facadas, atingido principalmente no ombro e no tórax. Neste caso, a vítima não foi identificada por falta de documentos.

O único acesso por terra para a praia é por uma viela. A praia é pequena e não é mais frequentada por turistas. Testemunhas afirmam que mais de 50 pessoas moram no local e dormem embaixo das canoas de pescadores e barracas. Eles se escondem entre as pedras da costeira e árvores para fazer o consumo das drogas. Os moradores reclamam ainda da constante sensação de insegurança, principalmente para os pedestres que precisam passar pelas proximidades.

CREAS

O CREAS realiza o atendimento emergencial à população em situação de rua, oferecendo atendimento psicossocial; inclusão no Cadastro Único visando a transferência de renda (Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada); segunda via de documentos pessoais; busca familiar; recâmbio para a cidade de origem; articulação com demais serviços socioassistenciais e com as demais políticas públicas de concessão de benefícios eventuais.

Quanto ao tratamento para a dependência química, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) oferece o tratamento com equipe multidisciplinar, sendo que as pessoas podem procurar pelo serviço sem a necessidade de encaminhamento médico.

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