Balões de propaganda de São Paulo chegam a praias do Litoral Norte

Hipótese é que foram carregados pelo vento por 24 horas

Balão em praia de São Sebastião (Fotos: Divulgação?Instituto Argonauta)

Um fato ocorrido na semana passada tem intrigado equipes do Instituto Argonauta, via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Na manhã do dia 14 de junho foram encontrados 35 balões nas praias da região. Na maioria deles havia a inscrição #patiofashionday. 

Ao realizar uma busca na internet os técnicos se surpreenderam com o fato do evento ter acontecido no Shopping Pátio Higienópolis em São Paulo (capital) no dia anterior ao encontro dos balões. Agora, eles tentam entender como eles chegaram às praias de São Sebastião. 

"A hipótese mais provável é que eles foram trazidos pelo vento de São Paulo até a costa, aonde caíram no mar e foram levados de volta à praia”, relata o oceanógrafo Hugo Gallo, presidente do Instituto.

O Instituto Argonauta entrou em contato com o shopping Pátio Higienópolis por telefone e e-mail e os responsáveis mostraram-se surpresos e esclareceram que “os balões foram utilizados somente para decoração fixa no evento, sem a liberação proativa no céu ou a sua distribuição aos clientes como mecanismo de marketing”. 

Entre os dias 15 e 17 mais balões foram encontrados, alguns eram de personagens infantis e muitos deles tinham formato de coração, estes, possivelmente utilizados para decoração de vários eventos no Dia dos Namorados, o que pode explicar a amplitude da área na qual foram encontrados. 

De acordo com o Instituto Argonauta eles foram localizados nas praias de Santiago, Guaecá, Boiçucanga, Boraceia, Toque-Toque e Juquehy, em São Sebastião; Enxovas em Ilhabela e Enseada, Sununga, Puruba e Ubatumirim, em Ubatuba

Gallo alerta que o impacto do lixo na fauna marinha é bastante conhecido, inclusive com registros de casos de tartarugas-marinhas que haviam ingerido bexigas e outros plásticos. 

“Os balões, assim como canudinhos, copos descartáveis e sacolas plásticas estão entre os tipos de resíduos plásticos que devem ser combatidos, pois são utilizados por poucos minutos, impactam o meio ambiente por séculos e podem ser facilmente substituídos por alternativas duráveis e ecológicas”.

Argonauta

O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização não governamental sem fins lucrativos que atua em todo Litoral Norte paulista com projetos de resgate e reabilitação da fauna marinha, educação ambiental e resíduos sólidos no ambiente marinho, além de executar o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BS). 

Esse projeto é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. 

Ele tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. 

O projeto é coordenado pela Univali e executado pelo Instituto Argonauta.

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