Atlas do IPEA aponta Caraguatatuba como a mais violenta no Estado em 2016

Dados divulgados este ano analisaram municípios acima de 100 mil habitantes 
Caraguatatuba tem mais de 115 mil habitantes (Foto:Nova Imprensa)

O Atlas da Violência 2018 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgado este mês, aponta que Caraguatatuba, no Litoral Norte, foi o município com mais de 100 mil habitantes que teve a maior taxa de homicídio no ano de 2016, período da análise. 

Com população de 115.071, a soma das taxas de homicídio e de mortes violentas com causa indeterminada (índice classificado pela sigla MVCI) foi de 36,5. Este é o critério para classificar a violência nos municípios analisados com base nos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS).

A análise foi realizada durante a gestão do ex-prefeito Antonio Carlos da Silva (PSDB). Neste ano, estatística divulgada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostra que Caraguatatuba registrou 25 casos de homicídios, 1.923 de furto, 925 de roubo e 222 de furtos e roubos de veículos.

Em 2017, na gestão do atual prefeito Aguilar Junior (MDB), houve queda nos índices, sendo 24, 1.897, 785 e 189, respectivamente. Segundo o chefe da Seção Operacional do 20º Batalhão da Policia Militar, capitão Daniel Lemes Garcia, nos últimos três anos Caraguatatuba vem reduzindo todos indicadores criminais.

Ele ainda destaca que a cidade não tem nenhuma comunidade sitiada por tráfico de drogas ou milícia e alerta: “o Litoral Norte tem taxa de migração pelo menos duas vezes maior que o resto do Estado. Crescimento desordenado, falta de equipamentos de Estado e família desestruturada colaboram para o aumento da violência, portanto, é imprescindível o envolvimento de todos nessa questão”.

Para ele, as prioridades devem ser ensino de qualidade, saúde, especialmente para as crianças. “Isso se chama prevenção primária”.

Como forma de investir mais no quesito segurança pública, área de competência do Estado, o prefeito Aguilar Junior aumentou em 50% a Atividade Delegada e determinou a compra de mais 50 câmeras de monitoramento na cidade.

Também já está em estudo a criação da Guarda Civil Municipal e o projeto deve ser apresentado para a população no segundo semestre.  Na proposta constará a quantidade de guardas, se será armada ou não, e quais as exigências para o concurso público.

São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba não entraram na pesquisa do Atlas da Violência 2018 porque possuem população inferior a 100 mil habitantes.

Brasil

Na avaliação geral, o Atlas classifica como os cinco municípios mais pacíficos: Brusque (SC – MVCI -4,8 ), Atibaia (SP– MVCI – 5,1), Jaraguá do Sul (SC – MVCI -5,4) Tatuí (SP – MVCI -5,9) e Varginha (MG – MVCI -6,7) e os cinco mais violentos no país: Queimados (RJ – MVCI -134,9), Eunápolis (BA– MVCI -124,3), Simões Filho (BA – MVCI -107,7), Porto Seguro (BA – MVCI -101,7) e Lauro de Freitas (BA – MVCI -99,2).

Análise feita pelo Atlas define que políticas de segurança pública efetivas são o conjunto de princípios, programas e ações de natureza intersetorial que garantem baixas taxas de crime e de sensação de insegurança e medo. 

“Quando as expectativas futuras dos cidadãos se deterioram, quando o medo começa a imperar, deixa-se de confiar nas instituições do Estado, e as pessoas passam a abandonar o espaço público, segregam-se dentro de condomínios e compram armas de fogo”.

Ainda conforme o documento, um equívoco muito comum incorrido, recorrentemente, por autoridades no campo da segurança pública é confundir a produção da segurança pública com a produção de atividade do trabalho policial, quando um meio torna-se o fim em si mesmo. 

Assim, foca-se e exalta-se o número de abordagens policiais ou de apreensão de drogas, por exemplo, que podem não ter nenhum efeito para produzir segurança, ou pior, podem mesmo concorrer no sentido contrário, para fazer aumentar o número de mortes violentas, as balas perdidas e o medo.

Mais dados

O IPEA apontou, ainda que a taxa de atendimento escolar da população de 0 a 3 anos, em Caraguatatuba, em 2016, era de 40,5% e 15 a 17 aos chegava a 81,3%. A renda per capita dos 20% mais pobre era de R$ 250 com 11,8% de crianças pobres e 34,9% de crianças vulneráveis à pobreza. 

A taxa de desocupação entre jovens de 15 a 17 anos era de 34% e entre 18 a 24 anos chegava a 13%. Também, 1,2% de pessoas residiam em domicílios com abastecimento de água e esgotamento sanitário considerados inadequados. 


Em relação à gravidez precoce, 2,3% de mulheres entre 10 e 17 anos tiveram filhos no período analisado e 8,4%de pessoas com idade entre 15 e 24 anos não estudavam, não trabalhavam e eram vulneráveis à pobreza. 


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