Sem base dos Bombeiros, Costa Sul tem 15% dos incêndios da cidade

Acidentes são fulminantes na maior parte dos casos devido a distância; Comandante alerta para risco de morte
Incêndio destruiu shopping em Maresias em março (Foto: Bombeiros/ Divulgação)

Quando um incêndio é registrado na Costa Sul de São Sebastião, dificilmente uma unidade do Corpo de Bombeiros chega a tempo para fazer o salvamento. O risco de morte também é grande, com o registrado na madrugada da última segunda-feira (30/4). A avaliação é do comandante do Corpo de Bombeiros do Litoral Norte, capitão Newton Kruger. Levantamento feito por ele mostra que das 416 ocorrências de salvamento atendidas neste ano, 61 foram na Costa, o que representa cerca de 15%. “ Porém, pela distância, elas são destruidoras”, alerta.

Foi o que aconteceu na Rua Lobo Guará, no Sertão de Cambury, no dia 30 de abril, quando um homem conhecido por Tatuagem morreu carbonizado após incêndio ocorrido em um barraco onde dormia. O caso foi registrado por volta das 3h30, os bombeiros foram acionados às 5h11, mas a viatura só conseguiu chegar ao local dos fatos às 6h15, quando não havia mais nada a ser feito nem o fogo contido.

Situação semelhante foi registrada em março deste ano quando um mini shopping de 150 metros quadrados, que ficava na Rua Elis Regina, em Maresias, foi consumido por um incêndio. No local funcionavam diversas lojas e uma academia e ele era feito todo de madeira. O início do acidente foi registrado por volta das 2h e a equipe do Corpo de Bombeiros conseguiu apagar o fogo apenas às 6h.  Desta vez não houve feridos.

“Os números que temos podem parecer insignificantes, mas existe a demanda reprimida daqueles que sabem que estão distantes e então nem nos acionam”, explica o capitão Kruger.

A situação também é preocupante na avaliação do presidente da Associação de Amigos do Bairro de Maresias (Somar), Eliseu Pires Arantes. Ele disse que vários ofícios já foram encaminhados ao prefeito Felipe Augusto porque toda a Costa depende da chegada das viaturas do Centro. "Ideal seria que a base fosse aqui em Maresias por conta da serra, mas se for em Boiçucanga, com certeza vai ajudar e muito nossa região".

Cenário

São Sebastião é uma cidade com cerca de 110 quilômetros de extensão, comparada a uma "linguiça espremida entre o mar e a serra". O município também é dividido entre Costa Norte, Centro e Costa Sul. Duas dessas regiões são atendidas pelo grupo de Salvamento do Corpo de Bombeiros que fica em base instalada em área da Petrobras, no Centro da cidade.

Quando a ocorrência é na Costa Sul, seja de incêndio ou acidente, a distância aliada com as condições da Rodovia Rio-Santos (SP-55), única forma de acesso, se tornam uma barreira. Por isso, há anos a corporação vem tentado a implantação de uma base nesta região, o que facilitaria o atendimento às vítimas e ocorrências.

São Sebastiao tem 85.538 habitantes, conforme censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que 40%, desse total, pouco mais de 34 mil, está na Costa Norte.

Conforme o comandante dos Bombeiros, já foi levado ao prefeito Felipe Augusto (PSDB) a proposta de criação da Base na Costa Sul, sendo que caberia à prefeitura a instalação física da base e a contratação dos bombeiros civis municipais, como já foi feito em Ilhabela e Ubatuba. Ao Estado caberia entrar com viatura e equipamentos.

“Mas por enquanto nada. Ele falou que ia desapropriar uma área para construção, mas não tivemos mais notícias de andamento, bem como não nos passou nada sobre a possibilidade da aquisição de uma viatura de salvamento - Ubatuba, Ilhabela e Caraguatatuba já compraram - pois salvamento é a ocorrência que mais temos na Costa Sul”, explicou Kruger.

Bombeiros na Escola

A Corporação também tenta a implantação do programa Bombeiros na Escola, já encaminhadas nas outras cidades do Litoral Norte, e segundo o comandante, só não foi para frente em São Sebastião.
“Infelizmente, em relação ao Corpo de Bombeiros, em São Sebastião tudo permanece como está, como nos anos anteriores”, lamentou.

Em outros municípios, ele cita como avanço e parceria Viatura Aérea, viatura de salvamento Bombeiros na Escola em Caraguatatuba; base nova, mais equipamentos e Bombeiros na Escola em Ilhabela; e viaturas novas (auto tanque e de salvamento) Bombeiros nas Escolas e, provavelmente nova base, em Ubatuba.

Prefeitura

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, informou que até o momento não vingou parceria com o governo do Estado para a implantação da base, mas que a administração pública investe R$ 3 milhões em suporte ao Corpo de Bombeiros com carros, combustível, alimentação, manutenção, aquisição de equipamentos e reforma das unidades. “A corporação presta um excelente serviço, mas a prefeitura não pode arcar com mais isso”, destacou.

Em relação ao programa Bombeiros na Escola, Felipe destacou que “tudo demanda mais investimento e recurso e a crise toma conta do país, o orçamento imbicou, a arrecadação está em queda. Tem de ter muita responsabilidade ao eleger prioridades, mas está na nossa meta”.

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