FOTO EM FOCO: Um Click: máquinas fotográficas de todos os tempos


O Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba sediou, recentemente, uma mostra que fez a delícia de todo mundo que gosta de fotografia e nutre admiração pelos artefatos que a produziam.

As câmeras eram repletas de botões regulando parâmetros diferentes para compor o melhor equilíbrio para cada situação a ser fotografada. Fotografar, não era, evidentemente, tarefa tão absurdamente fácil como o é hoje quando o celular fotografa tudo o tempo inteiro. Os fotógrafos precisavam estudar muito e praticar mais ainda para dominar a técnica e conseguir manusear corretamente os seus equipamentos. Distância focal, abertura do diafragma, velocidade do obturador, profundidade de campo, compensação de exposição eram expressões corriqueiras que ninguém mais entende.

Além disso, não era possível avaliar no mesmo instante o resultado da foto tirada; era preciso esperar pacientemente pela sua revelação química que poderia maravilhar ou decepcionar.

A mostra exibiu uma exótica câmara dotada de lente teleobjetiva russa em uma montagem que reproduz a de uma carabina, com gatilho e suporte para o ombro, aproximando o ato de fotografar ao de caçar; a ação de acionar o diafragma ao de disparar um tiro.

Foi um desfile de câmeras de tamanhos diversos, todas singulares e encantadoras. Algumas, mais do que outras, foram objeto de grande desejo de todo fotojornalista, fotógrafo profissional ou amador bem abonado. Eram equipamentos caros, feitos para durar décadas, raramente necessitando de manutenção.

Agora, quando mesmo as câmeras e lentes reputadas como profissionais conseguem agir sozinhas por força da eletrônica e de programas de computação nelas embarcados, tornou-se desnecessária a prática da boa técnica na construção de uma linguagem fotográfica pessoal e assim até focar na mão e no olho como faziam os antigos fotógrafos, virou uma atitude anacrônica.

No entanto, diante da corrente mediocrização da fotografia por prestar-se a vulgarizar a vida por causa da produção maciça de patéticas selfies, indigestas fotos de comida, flagrantes insípidos de gatinhos, cachorrinhos e mesmo, bebezinhos, paisagens de cartão postal brega, pavoroso material de fotógrafos intitulados "divulgação" (isso, quando é desse jeito creditado) estampado todo o dia nos jornais oportunistas que escolhem a política de mal informar enfeando o mundo, mais do que nunca se faz urgente resgatar aquele conhecimento ora desprezado que soube com sensibilidade e presteza fazer tanta foto bem feita no passado.


Por Márcio Pannunzio





























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