FOTO EM FOCO: Salão Waldemar Belisário


Durante as comemorações do aniversário de Ilhabela, inaugurou-se o 40º Salão de Artes Plásticas Waldemar Belisário. Ocupou dois espaços: as três salas de exposições temporárias do prédio da Fundação Arte e Cultura de Ilhabela e a sala de exposições temporárias do novo Museu Waldemar Belisário.

O salão é querido pelas autoridades e artistas e completando agora, quarenta edições, torna-se um dos mais longevos. Sem dúvida, vale a pena comemorar. No passado, salões nesse feitio eram bastante populares e existiam em grande quantidade.

Hoje, a maioria ficou na lembrança. Poucos sobreviveram diante do descaso do poder público, sempre preferindo investir em ações de melhor retorno e vistosa publicidade e também, dos novos artistas e do mercado de arte, que passaram a enxergar os salões como eventos antiquados.

Antes, figurar nesses salões e conquistar prêmios era motivo de orgulho. Era a maneira corrente de construir um currículo de qualidade. Quanto mais participações, quanto mais prêmios, mais brilhante se tornava ao olhar da crítica especializada e dos colecionadores, o artista.

Hoje, isso já não conta. Jovens recém-formados em qualquer uma das centenas de faculdades de artes espalhadas pelo país, logram conquistar com facilidade espaços onde artistas de carreira outrora incensada não vão nunca expor, por mais que o desejem.

É bem verdade que são bem poucos esses jovens vitoriosos nessa maluca corrida onde curadores ditam as regras a seu bel-prazer. Pois o curador tem ora, enorme prestígio a ponto de obscurecer a palavra do crítico de arte. Que tinha espaço cativo nos jornais, nas revistas, no espaço mercadológico e no institucional.

Críticos de boa estirpe amargam o mesmo esquecimento em que vivem os artistas que buscavam construir suas carreiras competindo no circuito dos salões. Hoje, mais do que nunca, a qualidade da obra conta muito menos do que ter jogo de cintura e disposição para bem relacionar-se e, principalmente, ser querido por aqueles que podem fazer a diferença - galeristas, curadores, jornalistas, resenhistas, produtores, políticos, compradores, diretores de museu e instituições culturais.

Por isso,  é bacana contarmos com o Waldemar Belisário ainda atuante, recebendo democraticamente todos os artistas que sonham expor suas obras sem precisarem fazer parte de qualquer clube social, político, religioso ou estético, mas sim, apenas se dispondo a terem o seu talento avaliado com isenção por um júri de críticos de arte de boa reputação.


Por Márcio Pannunzio















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