Muro de R$ 1,9 milhão gera reivindicações de moradores e vira caso de polícia

Comunidade reclama que o proprietário favorecido pela obra fecharia a passagem dos pescadores ao mar
Vereadores vistoriaram a obra nesta quinta-feira (Foto: Divulgação)

A obra de recuperação de um muro na margem da rodovia SP 131, no bairro do Taubaté, região Sul de Ilhabela, está gerando confusões por conta do orçamento, aprovado pela Prefeitura em caráter emergencial no valor de R$ 1,9 milhão. O trecho do muro que foi comprometido pela chuva possui aproximadamente 10 metros, mas a obra compreenderá toda a extensão de uma propriedade privada, chegando a 163 metros.

Os moradores também reclamam que o proprietário da antiga casa colonial beneficiada pelo projeto, que é dono de diversos imóveis no arquipélago, estaria fazendo a construção de um outro muro, na parte de baixo do imóvel e que fecharia o acesso da comunidade ao mar, impedindo, ainda, a atividade dos pescadores artesanais que fazem uso do porto e mantém ranchos no local. O dono já tentou por pelo menos cinco vezes fechar a passagem e da última vez, no final de 2016, a contrução foi barrada pela Justiça, após um processo da comunidade junto ao Ministério Público (MP).

O pescador e pizzaoiolo do bairro, Cristian Ledo, de 33 anos, conta que a briga do proprietário para fechar a servidão dura mais de 40 anos. "Desde a época do meu avô este muro já foi iniciado e parado várias vezes. O mais estranho é que pedimos a legalização desse trecho para pesca e passagem há anos e nada, mas quase R$ 2 milhões são liberados para um muro agora", afirma ele.


O muro deve cercar 163 metros de uma propriedade privada (Foto: Nova Imprensa)
Segundo ele, além do valor da obra ser muito alto, o proprietário estaria aproveitando o momento para transportar as pedras e insistir mais uma vez no fechamento da passagem. "Já tem um monte de material de construção na costeira, novamente. A ideia deles é colocar a servidão na outra extremidade do terreno murado, mas a comunidade não quer isso".

Cristian ressalta, ainda, que diversos nativos ainda vivem da pesca e fazem desembarque no local. "O Porto do Taubaté é antigo e está sinalizado no Plano Diretor da cidade. Não queremos mudar nosso local de tradição por interesses pessoais".

Outra reclamação referente a obra é de que os trabalhos estariam impedindo a passagem dos veículos de alguns moradores, por conta do movimento de caminhões e tratores que descarregam materiais e ficam estacionados em frente às casas próximas.

Vereadores

Após as reivindicações da comunidade, cinco vereadores vistoriaram os trabalhos, na tarde desta quinta-feira (4) e questionam o valor destinado à intervenção e se o projeto atende, realmente, as necessidades do bairro. 

Levando em consideração o valor do contrato, os parlamentares ressaltam as melhorias reivindicadas pela população, como a construção do rancho coletivo, garantia da passagem ao mar, alargamento da pista, calçada e ponto de ônibus.

Com a ausência de um responsável técnico e do projeto da obra no canteiro, os parlamentares questionaram o empreiteiro, Nerisvaldo Pereira, o Nenguinha, e acabaram discutindo com ele. O caso foi parar na Polícia, onde a vereadora Salete Salvanimais (PSB) registrou um Boletim de Ocorrência por ameaça.

O vereador Luiz Paladino de Araújo (PSB) publicou uma nota nas redes sociais sobre o caso, onde afirma que "na ocasião, fomos surpreendidos com o desacato do empreiteiro à vereadora, que talvez tenha se sentido coagido com as nossas dúvidas sobre o projeto e verbalizou uma ameaça à minha colega de partido".

Além deles, os vereadores Anísio Oliveira (DEM), Marquinhos Guti (DEM) e Valdir Veríssimo (PPS) também estiveram presentes na vistoria e devem encaminhar um ofício ao Executivo, solicitando uma reunião com o secretário de Obras, Katzumi Hoyer, a fim de sanar as dúvidas e apresentar os pedidos da comunidade.

Segundo a Câmara Municipal, os vereadores não se posicionam contra a execução da obra, mas destacam que aparentemente o projeto não contempla as demandas do bairro. 

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