Prefeitura de Ilhabela muda expediente devido às péssimas condições de trabalho

Ex-prefeito diz que trabalhou seis meses no prédio com adequações em andamento
 Audiência com funcionários no Novo Paço (Foto: Camila Migliarini/PMI)

Por Mara Cirino e Da Redação

Em audiência com os funcionários, realizada na manhã desta quarta-feira (4/1), o prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório (PMDB), decretou mudança de horário no atendimento ao público e também de trabalho dos funcionários. A medida, segundo ele, foi tomada devido às péssimas condições de trabalho que todos encontram no Paço Municipal. Nos próximos 15 dias, o expediente da Prefeitura será das 8h às 14h.

“Esse prédio foi entregue sem condições nenhuma de receber a população e vocês, servidores. Estou aqui hoje, não como prefeito, mas como servidor público, para conversar e chegar a um entendimento com todos, de como vamos prosseguir nosso trabalho nos próximos dias. Era para eu estar debruçado em meu plano de governo, mas estamos sem condições de trabalhar”, disse Tenório.

O primeiro bloco do novo Paço Municipal foi inaugurado em junho de 2016 e a segunda fase da construção em dezembro do mesmo ano. Segundo a atual administração, os prédios foram entregues sem a obra ser totalmente finalizada. “São vários os problemas encontrados, muitas salas ainda não estão prontas, o serviço de telefonia e internet não funciona, falta água e energia, muitas salas estão sem porta, tomadas e mobiliários, nem todos os setores possuem ar condicionado”, descreveu.

Durante a reunião, funcionários de vários setores foram ouvidos e relataram as dificuldades que estão encontrando para trabalhar nessas condições. 

“Nós, da saúde, não podemos parar, mas estamos encontrando muitas dificuldades. Em nossa secretaria temos apenas uma tomada de 110 volts, quando na verdade precisamos de quatro tomadas de 220 volts para ligar as geladeiras onde ficam as vacinas e outros medicamentos. Esse problema já havia sido relatado para a administração anterior, mas nada foi feito”, relatou Luiz Mario de Almeida Matarazzo, da Secretaria da Saúde.

Outro setor que mesmo com as dificuldades não consegue interromper o trabalho é o de regulação, que realiza os agendamentos de consultas e exames da população. “Não podemos parar, um dia parado, é uma vaga perdida para algum paciente. Está muito quente no nosso setor, está difícil trabalhar assim, mas vamos continuar. Enfrentamos dificuldade com a telefonia também, estamos nos virando com nossos telefones particulares para entrar em contato com os pacientes”, contou Silvia Cristina Benedicto, assistente social.

Calor
Uma das principais reclamações dos funcionários é o calor. Como os prédios são em sua maioria de vidro e as salas estão sem proteção nas janelas, o sol bate diretamente nas salas e a falta do ar condicionado e persianas deixa as condições praticamente insalubres. “Ontem, algumas funcionárias passaram mal e interrompemos o trabalho por 2h porque ficamos sem ar condicionado”, contou Lucimara Souza Santos que trabalha no PABX. 

O presidente do sindicato dos funcionários públicos, Marcelo Rocha, participou da reunião e manifestou seu apoio ao prefeito. “Estamos vendo o que acontece quando as coisas são mal planejadas. A falta de planejamento resultou nesses problemas que todos estão enfrentando hoje. Após reunião com o prefeito fiquei ciente dos problemas que estão enfrentando aqui e eu disse que ele tem todo apoio dos servidores. 

Lamentável
O ex-prefeito Toninho Colucci (PPS) lamentou que só agora essas preocupações apareceram. “Fizemos uma transição de 45 dias para que a comissão pudesse ver os serviços realizados, os andamentos, mas só ficaram fazendo fotos e se promovendo”. 

Segundo ele, o novo Paço Municipal é o maior prédio em construção no arquipélago, sendo 7 mil metros quadrados de obra e só não foi entregue completo por conta de alguns atrasos, mas nada que prejudicasse o seu uso. 

“Há serviços em andamentos por conta de atrasos na obra, como cabeamento de internet, além de mobiliário que está para chegar. Mas por seis meses trabalhei no lugar que agora será utilizado pela Secretaria de Saúde e não houve necessidade de mudança de horário”.

Para Colucci, “essa medida é desculpa porque se fosse real a necessidade, o certo seria fechar das 11h às 13h que é o horário mais quente. Fechar depois das 14h é porque tem gente querendo ir para a praia”, alfinetou e completou, “se a questão fosse o calor, e o gari, o calceteiro que trabalham debaixo de sol a pino?”.

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