Petroleiros afirmam lutar contra perda de direitos e privatização da Petrobras

Sem acordo na reunião desta segunda-feira, trabalhadores entram no 13° dia de greve
Greve dos petroleiros entra no 13° dia (Foto: NI)

A reunião de negociação entre a Petrobras e representantes dos petroleiros, que aconteceu nesta segunda-feira (9), terminou sem avanços e os trabalhadores entram no 13° dia de greve, em todo o Brasil. Segundo os trabalhadores, a ação pede a manutenção de direitos básicos, como a redução no pagamento de horas extras, fim do benefício farmácia e extinção de planos de saúde e odontológicos. Além disso, a pauta abrange temas relacionados a venda de ativos da companhia, que prevê uma redução por volta de R$ 157 bilhões em investimentos e pode acarretar em uma futura privatização, segundo o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro).

“Estamos em greve pela manutenção de nosso acordo atual e por um reajuste alinhado com a inflação. Já estamos negociando há mais de dois meses e só paramos por que a empresa se mostrou irredutível na ideia de cortar nossos direitos. Além disso, as manobras para privatização mostram que a companhia não está mais disposta em cumprir seu histórico papel econômico e social no país, e não queremos isso”, afirmou Alécio Manhas, que trabalha há mais de 32 anos na empresa.

Segundo a Petrobras, os esforços são para retomada do trabalho. "A empresa está na busca  por entendimento para o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho e se dispôs a avanças em itens reivindicados pelas entidades sindicais", afirmou a companhia em nota.

São Sebastião

Para diminuir as perdas de produção, a Petrobras tem remanejado trabalhadores de outras unidades para manter a operação, mas mesmo com a estratégia, a produção atinge uma perda de 40% em São Sebastião. Com 100% de adesão dos setores operacional e de supervisão à greve, a companhia tem trazido trabalhadores de outras bases para tentar suprir a demanda de produção. Porém, segundo os trabalhadores, isso traz um alto risco de acidentes, já que os profissionais de fora não são treinados especificamente.

“Eles estavam colocando os engenheiros da própria unidade para fazer o trabalho de contenção, o que já gera um grande perigo. Agora foi trazido um pessoal de fora, que nem conhece a planta e também não é qualificado para fazer o serviço, o que é mais arriscado ainda. Antes desta medida, a queda da produção era maior, mas mesmo  com os operadores de reserva, a perda é grande”, disse o diretor sindical liberado, Douglas Braga.

Caraguatatuba

Na Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, onde o regime de greve segue funcionando 24 horas por dia, não é possível mensurar as perdas. Os trabalhadores estavam impedindo a entrada de caminhões com gás, porém, após uma liminar expedida pela Justiça, na última quinta-feira (5) a entrada foi liberada. De acordo com o documento, o gás natural é essencial para o abastecimento de hospitais e presídios, por exemplo. Com a decisão, a entrada dos demais produtos (utilizados em processos de refinaria) também acabaram sendo permitidas.

A medida liminar foi entregue aos manifestantes na presença da Polícia Militar, que segundo relatos dos trabalhadores, chegou ao local com metralhadoras em punho. “A presença da polícia durante a realização do cumprimento das liminares vai contra a legislação, que determina que para a efetivação da medida, deve ser acionada a polícia judiciária civil (estadual ou federal), e nunca a polícia militar, cuja função social é preventiva e ostensiva”, declarou o Sindicato.


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