Greve dos funcionários do INSS preocupa usuários

Órgão federal está fechado há mais de 15 dias e categoria quer reajuste e melhorias no trabalho

Unidade do INSS de São Sebastião está fechada (Foto: Leninha Viana)
Por Leninha Viana

A greve dos servidores do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), deflagrada há 15 dias, já mostra reflexos no dia a dia da comunidade. Nesta quinta-feira (30/7), as portas da agência da Previdência Social em São Sebastião permaneceram fechadas e nem mesmo as perícias, que até o início da semana ainda estavam sendo realizadas, foram oferecidas pela unidade.

O autônomo Hermegildo Ferreira, 55 anos, foi uma das pessoas que procurou atendimento sem sucesso nesta quinta-feira. O morador de Ilhabela está em tratamento para uma segunda cirurgia no joelho e teve que reagendar a perícia por telefone. “Vim aqui pessoalmente tirar foto com um jornal do dia para garantir o meu direito”, explicou.

A costureira Edna Coelho, 55 anos, moradora de São Sebastião, também está preocupada com a greve. “Tenho perícia marcada para segunda-feira, mas pelo jeito vou precisar reagendar”, preocupa-se. Na porta da agência há orientações reforçando aos usuários que liguem para o telefone 135 para remarcar atendimento, sem esquecer de informar que o novo agendamento é necessário porque a agência está em greve.

De acordo com a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), o movimento já tem adesão de 85% dos funcionários no país e no Litoral Norte todas as agências aderiram ao movimento. A categoria pede reposição salarial de 27,3%, referente aos últimos quatro anos, além de melhores condições de trabalho, concursos públicos para a reposição do quadro de servidores, incorporação das gratificações e paridade salarial entre ativos e aposentados.

A assistente social Gisele Freitas, que atua na agência do INSS em São Sebastião, declarou que o funcionalismo está em tratativas por essas melhorias desde 2009. Ainda conforme a profissional, um dos principais problemas é a falta de concurso público, o que impede os servidores de se aposentar. “Cerca de um terço dos servidores já pode se aposentar e não o faz porque não tem concurso público para reposição de funcionário, além disso, há uma perda salarial de 40%, sem contar que quando finalmente se aposenta, a maioria está doente” , revela, referindo-se à falta de melhoria nas condições de trabalho.

Gisele afirma também que os servidores entendem e lamentam o transtorno causado à comunidade com a paralisação dos serviços, no entanto, acreditam ser mais do que justa a luta do funcionalismo. “Amo o que faço, queremos trabalhar, mas o governo precisa ajudar, olhar para a categoria. É agora ou nunca”, conclui. 
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