“Foi a mão de Deus que me tirou do local onde a pedra caiu”, diz sobrevivente

Ruana Barbosa Ribeiro Vieira diz que nasceu de novo após sair com escoriações de acidente com pedra de 1 tonelada
Gerson e a esposa Ruana (Foto: Mara Cirino/NI)

Por Mara Cirino

A auxiliar de enfermagem Ruana Barbosa Ribeiro Vieira, 32 anos, ainda não acredita a sorte que teve de sair viva de um acidente na última terça-feira (28), quando uma pedra que uma tonelada caiu sobre sua casa e por pouco não atingiu as quatro pessoas que estavam no imóvel.

“Foi a mão de Deus que me tirou do local onde a pedra caiu segundo antes do desastre”, contou ela ao Nova Imprensa. A única coisa que se lembra do momento é que sentiu algo passar no justo local onde se encontrava e depois gritar pelo nome de seu filho Artur, de 3 anos, que ficou embaixo dos escombros.

“Deus o salvou porque a pedra passou no exato lugar onde ele estava e também de levantou para ficar com a minha mãe (Maria Barbosa da Cruz, 62 anos), que também foi atingida pelo entulho da minha casa, mas sem gravidade”.

O que chama a atenção nesta história que por pouco não provocou uma tragédia é que Ruana relata que no dia anterior sonhou que a pedra tinha rolado sobre sua casa e contou para o marido Gerson Dias Vieira, 41 anos e que funcionários da empresa Queiroz Galvão teriam dito que não haveria risco algum.

A construtora é responsável pela execução da obra do Contorno Sul, nos lotes 3 e 4, entre Caraguatatuba e São Sebastião, ligando o trecho do planalto ao porto local. O caso foi registrado na Rua Miramar, Travessa da Simião Caldeira, no Morro do Abrigo, região central de São Sebastião.

Nova moradia

Nesta quinta-feira a Queiroz alugou uma casa no bairro São Francisco para que a família possa sair do hotel onde está desde o dia do acidente. O casal disse que não quer mais voltar para o local, mesmo com a promessa da empresa de reformar todo o imóvel. “Não temos mais segurança nem tranquilidade de morar ali. Toda hora lembro do que poderia ter acontecido, ouço barulhos”, conta Ruana.

A família quer agora uma casa própria em outro local. “Foram oito anos morando na minha casa, mas os parentes do meu marido estão lá há mais de 20 anos. Agora a gente não sabe mais o que pode acontecer”, complementa a auxiliar.

Ainda de acordo com o casal, o pequeno Artur está recebendo auxílio de uma psicóloga disponibilizada pela Queiroz Galvão, assim como Ruana que também tem acompanhamento médico após levar quatro pontos na perna direita e ter escoriações pelo corpo. Seu cunhado, Roni Dias Vieira, 26 anos, que morava no imóvel, também está assustado com o ocorrido e recebe ajuda de profissional.

Interdição

Após o acidente, a Defesa Civil de São Sebastião interditou mais 12 casas no bairro Morro do Abrigo, que somada a casa de Ruana, totalizará aproximadamente 65 pessoas que deverão ser removidas nos próximos dias

Obra na altura do Morro do Abrigo (Foto: PMSS/Divulgação)
De acordo com funcionários, a empresa Queiroz Galvão está providenciando o aluguel de casas onde as famílias afetadas permanecerão abrigadas até o final do empreendimento.

Conforme determinação do prefeito Ernane Primazzi (PSC), a obra só será liberada após a Dersa e a empresa Queiroz Galvão removerem todas as 13 famílias que estão em área de risco iminente.

Além da remoção, o prefeito ainda solicita a apresentação de um laudo sobre a causa do acidente, bem como um plano de segurança com ações efetivas na obra.  Ainda de acordo com o prefeito, o Dersa e a Queiroz Galvão já foram notificadas oficialmente em relação ao embargo da obra e aguarda agora a apresentação dos documentos e laudos exigidos.
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